
Depois de encerrar 2025 com números históricos no comércio exterior, o Rio Grande do Norte entra em 2026 com uma agenda voltada à consolidação da indústria, à atração de investimentos intensivos em energia e à ampliação do apoio a micro, pequenas e médias empresas. A avaliação é do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Alan Silveira, que apresentou, em entrevista ao podcast Fala, Indústria!, do Sistema da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), um balanço do ano passado e as prioridades para o novo ciclo.
Mesmo enfrentando os efeitos do aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o Estado registrou exportações superiores a US$ 1 bilhão em 2025, com importações em torno de US$ 440 milhões. O resultado foi um superávit de quase US$ 650 milhões, o maior da série histórica potiguar, além da abertura de 14 novos mercados internacionais, elevando para mais de 80 o número de países compradores de produtos do RN.
Segundo Silveira, a resposta ao chamado “tarifaço” norte-americano incluiu articulação com o Governo Federal, entidades empresariais e federações industriais, além da criação do programa RN Mais Exportação, voltado ao apoio direto a empresas exportadoras. A iniciativa, desenvolvida em parceria com o Sistema Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do RN (Sebrae-RN), já atende 57 empresas e deve alcançar até 100 ao fim do primeiro ciclo. Cerca de 20% das participantes haviam deixado de exportar e estão retomando operações com o suporte técnico e comercial do programa.
No front industrial, o Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial (Proedi) ampliou sua base de beneficiários. O número de empresas atendidas passou de 302 para 364 em 2025, crescimento superior a 20%, com geração de 65 novos empregos vinculados diretamente às companhias incentivadas. O setor salineiro, estratégico para o Estado, foi incluído no programa, com 28 empresas beneficiadas.
Para 2026, o governo aposta na combinação entre incentivos fiscais, infraestrutura e segurança jurídica para melhorar o ambiente de negócios. Estão em andamento projetos de ampliação de distritos industriais em municípios como Macaíba, São Gonçalo do Amarante e Mossoró, além de melhorias no Centro Industrial Avançado (CIA), na região metropolitana de Natal. A secretaria também atua como articuladora junto a órgãos ambientais e concessionárias de serviços para acelerar licenças e implantar infraestrutura básica.

A principal aposta estratégica, contudo, está na atração de data centers e projetos ligados à transição energética. Com cerca de 98% de sua matriz elétrica baseada em fontes renováveis e liderança nacional em energia eólica, o Rio Grande do Norte enfrenta gargalos de transmissão que limitam o escoamento da produção. “Os data centers podem consumir essa energia excedente, evitar o desligamento de parques e ainda trazer tecnologia, inovação e empregos qualificados”, afirmou o secretário.
De acordo com Silveira, mais de 20 empresas já manifestaram interesse em instalar data centers no Estado, aguardando a regulamentação ambiental específica, que deve ser concluída nos primeiros meses de 2026. O RN também saiu na frente ao regulamentar o hidrogênio verde e avançar em projetos de baterias e armazenamento de energia. Na área portuária, o projeto do Porto-Indústria Verde, estruturado como parceria público-privada com apoio do BNDES, entrou na fase de contratação de estudos técnicos.
Além dos grandes investimentos, a política econômica mantém foco nas micro e pequenas empresas, responsáveis pela maior parte dos empregos no Estado. Programas como a Caravana Empreendedora e o Costura Mais RN combinam capacitação, acesso a crédito via Desenvolve RN e estímulo à formalização, especialmente no interior.
“O desafio é ganhar velocidade em infraestrutura e logística, porque a indústria não espera”, disse Silveira. A expectativa do governo é que a nova política industrial do Rio Grande do Norte, em tramitação na Assembleia Legislativa, crie as bases legais para aprofundar a interiorização da indústria e sustentar o crescimento nos próximos anos.