
O Rio Grande do Norte está entre as regiões brasileiras com potencial mineral que passa a ganhar relevância nas negociações internacionais envolvendo terras raras e minerais estratégicos. O tema entrou oficialmente na agenda global após a União Europeia confirmar que negocia com o Brasil investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras, insumos considerados essenciais para a transição energética, a indústria tecnológica e a segurança econômica mundial.
O anúncio foi feito nesta sexta-feira (16) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. A movimentação ocorre em meio a uma disputa global por matérias-primas críticas, hoje concentradas principalmente na China, que lidera o processamento e o refino desses minerais.
Além da União Europeia, os Estados Unidos também demonstram interesse direto nos minerais estratégicos brasileiros, como forma de reduzir a dependência chinesa. Nesse cenário, o Brasil aparece como peça-chave: o país possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, estimada em cerca de 21 milhões de toneladas, segundo dados internacionais. Apesar disso, a maior parte da produção nacional ainda é exportada sem processamento, com baixo valor agregado.
É nesse contexto que o Rio Grande do Norte ganha relevância. Estudos do Serviço Geológico Brasileiro identificaram mais de 4,7 mil corpos pegmatíticos na Província Pegmatítica da Borborema — número que pode ultrapassar 7 mil — abrangendo municípios do Seridó potiguar, como Currais Novos, Parelhas e Tenente Ananias. A região é historicamente conhecida pela produção mineral e concentra ocorrências hoje classificadas como estratégicas para a economia global.
Além das terras raras, o RN apresenta potencial para minerais como lítio, nióbio, tungstênio e tântalo, utilizados na fabricação de baterias, turbinas aeronáuticas, equipamentos médicos e aplicações nas indústrias bélica e nuclear. Parte das pesquisas é desenvolvida pelo IFRN, em parceria com empresas brasileiras, mas o avanço em escala depende de investimentos em tecnologia, mapeamento detalhado do subsolo e infraestrutura laboratorial.
Projetos estruturantes voltados a esse levantamento seguem aguardando liberação de recursos federais. Enquanto isso, negociações internacionais avançam e o Brasil discute acordos envolvendo exatamente os minerais presentes no subsolo potiguar, ainda pouco conhecidos fora do meio técnico.
O debate sobre terras raras não é apenas geopolítico. Ele passa por desenvolvimento regional, geração de empregos qualificados, industrialização e soberania econômica. Para estados como o Rio Grande do Norte, a questão central não é se há potencial, mas se haverá estratégia para transformá-lo em oportunidade concreta.
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