
O número de decolagens partindo do Aeroporto de Natal caiu 12,5% em 2025 em relação ao ano anterior. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que foram realizadas 8.236 decolagens no terminal, no ano passado, contra 9.415 em 2024. A retração foi puxada pelos voos domésticos, que tiveram queda de 13,4%, saindo de 8.858 em 2024 para 7.669 em 2025. Já as operações internacionais se mantiveram estáveis, passando de 557 para 567 voos entre 2024 e 2025.
Guarulhos segue como principal destino dos voos domésticos partindo de Natal, com 30,6% das decolagens totais. Em segundo lugar aparece Recife (13%), seguido por Brasília (12,2%). Com relação aos voos internacionais, partindo do terminal potiguar, Portugal concentrou a maior parte do fluxo de decolagens (58,20%), seguido por viajantes em conexão (27,34%) e pela Argentina (14,8%).
Apesar da redução das decolagens partindo do Aeroporto de Natal, o volume de passageiros – considerando pousos e decolagens – se manteve estável, com 2,4 milhões – um leve aumento de 1% em relação a 2024. Ao todo, 2,3 milhões fizeram operações em voos domésticos e 123 mil em voos internacionais. Ainda no ano passado, o Aeroporto de Natal ainda registrou queda de 5,8% na oferta de assentos em pousos e decolagens, segundo a Anac.
De acordo com a Zurich Airport Brasil, administradora do Aeroporto de Natal, a redução nas decolagens ocorreu principalmente devido a alterações na malha aérea ao longo do ano. “A partir de abril de 2025, a Latam deixou de operar as rotas diretas de Natal para os aeroportos de Congonhas (SP) e Galeão (RJ). Também houve redução de frequências para Guarulhos e Brasília. E em março de 2025, a Azul suspendeu a operação diária da rota entre Natal e Fernando de Noronha”, disse a empresa por meio de nota.
A Zurich esclareceu ainda que a decisão sobre aumentar ou reduzir a oferta de voos cabe exclusivamente a cada companhia aérea. A concessionária destacou que continua atuando em parceria com o poder público, as empresas aéreas e o setor turístico do estado para atrair novas rotas e fortalecer a conectividade aérea no RN.
A Secretaria de Turismo (Setur-RN) avalia que a queda no número de decolagens pode afetar a competitividade do RN. “Pode impactar a visibilidade e a competitividade do estado frente a outros destinos nordestinos e nacionais. Por isso, temos intensificado o diálogo com o trade turístico e com as companhias aéreas”, disse a pasta.
Ainda segundo a Setur-RN, o cenário está inserido em um contexto amplo, envolvendo ajustes das companhias aéreas, adequações de malha, custos operacionais e estratégias comerciais do setor. “Eventuais impactos podem refletir na diminuição da oferta de assentos, na competitividade de tarifas e, consequentemente, no fluxo turístico, sobretudo em períodos de média e baixa estação”, acrescentou a secretaria estadual responsável pelo turismo potiguar.
O diretor-presidente da Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur), Raoni Fernandes, afirmou que a redução no número de decolagens não afetou os avanços do turismo no estado. “O trabalho de promoção realizado foi eficiente e estratégico, aumentando a taxa de ocupação dos voos, todos operando com alta demanda, alcançando um load factor acima da média nacional e entre os melhores do Nordeste”, disse Raoni.
“Estamos vivendo, neste momento, a melhor alta temporada dos últimos 12 anos”, acrescenta. Para 2026, ele prevê crescimento superior a 10% na oferta aérea e aumento acima de 50% no mercado internacional.
Comportamento do turista
O presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens do RN (ABAV-RN), Antônio Neto, explica que a redução nas decolagens é pontual e que as companhias estão operando com aeronaves de maior capacidade e melhores taxas de ocupação, equilibrando o cenário. “O turista está mais estratégico, compra com mais antecedência e busca melhor custo-benefício, o que é uma tendência nacional”, analisa.
Segundo ele, até o momento, não há reflexos negativos perceptíveis na demanda turística: “Na prática, o consumidor final continua encontrando opções de viagem, e as agências seguem comercializando o destino com bons resultados”.
Edmar Gadelha, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH-RN), alerta que a contração na oferta de assentos e a diminuição na frequência de conexões são sinais de atenção: “Este é um primeiro sinal que, se prolongado, pode impactar o fluxo de turistas”.
Ainda segundo ele, a principal consequência é o impacto nos preços das passagens aéreas, regulados pela lei da oferta e da procura. “Isso tem levado o nosso destino a ter as passagens mais caras da região Nordeste, fazendo com que percamos competitividade em relação aos estados vizinhos”, sublinha.
Edmar Gadelha também ressalta que o turista brasileiro continua escolhendo nosso destino, mas a contração na oferta aérea atua como um filtro, consolidando um perfil mais qualificado. “É importante reconhecer, contudo, um fenômeno que impacta diretamente nossa captação: uma parcela significativa de turistas opta por embarcar em estados vizinhos, como Pernambuco e Paraíba, onde as passagens aéreas frequentemente são encontradas a preços mais competitivos”.
O presidente da ABIH acrescenta que o principal reflexo para o setor hoteleiro não é uma queda brusca na ocupação, mas uma mudança em seu ritmo e origem. “A taxa se mantém estável, porém com uma concentração maior em períodos pontuais, como feriados prolongados, e com um desafio adicional: muitos dos hóspedes que chegam de carro ou ônibus de outros estados já iniciaram sua viagem com um custo logístico diferente, o que pode influenciar seu padrão de gasto local”, disse
Para ele, o cenário exige atuação em duas frentes: “Primeiro, trabalhar em conjunto com o poder público e as companhias aéreas na atração de novas rotas e na competitividade tarifária; segundo, fortalecer campanhas de marketing que incentivem o turista regional e o deslocamento terrestre, convertendo essa realidade em oportunidade”, analisa.