CUSTO DE VIDA MÉDIO NO RN CHEGA A R$ 2.550 NO MÊS E É O 5º DO NORDESTE

O custo de vida médio dos potiguares é de R$ 2.550 ao mês, considerando gastos com moradia, água, luz, internet e streaming, supermercado, transporte, saúde, educação, lazer, alimentação, compras em geral – que incluem calçados, cosméticos e pets -, além de serviços e cuidados pessoais. O valor é o quinto mais alto do Nordeste, atrás dos estados da Bahia (R$ 3.210), Pernambuco (R$ 2.840), Paraíba (R$ 2.820) e Piauí (R$ 2.690).

Os dados são da pesquisa “Custo de Vida no Brasil”, realizada pela Serasa em parceria com o instituto Opinion Box. No país, o custo médio mensal por pessoa é de R$ 3.520. Segundo o levantamento, os gastos médios dos potiguares estão concentrados, principalmente, em despesas como supermercado (R$ 870), moradia (R$ 790) e contas recorrentes (R$ 370), como água, luz, internet e streaming.

O economista Thales Penha, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), explica que, à medida que os gastos são maiores nesses itens, o consumo de outros bens pode ser inviabilizado. Segundo ele, o planejamento do orçamento, diante de um cenário onde o custo médio por pessoa é superior ao salário mínimo, costuma provocar comportamentos como a troca de produtos alimentícios por outros de menor qualidade.

Outro aspecto é a opção por moradias mais afastadas de áreas com boa infraestrutura por conta de aluguéis mais baratos, na avaliação do especialista. “Na medida em que o orçamento é limitado, acontece o consumo do que a gente chama de bens substitutos: troca-se a manteiga pela margarina ou a carne pelo ovo, por exemplo. Geralmente, o indivíduo deixa de consumir alimentos frescos e passa a comprar ultraprocessados. Também costuma haver adaptações quanto à moradia, porque as pessoas vão cada vez mais para as periferias, se afastando da infraestrutura pública de qualidade”, detalha o professor.

Nathália Fernandes, especialista em educação financeira da Serasa, diz que planejamento é essencial diante do cenário. “Quando as despesas essenciais ocupam uma fatia tão grande do orçamento, sobra menos espaço para ajustes e imprevistos. Isso torna o planejamento financeiro ainda mais necessário, já que essas contas não podem ser adiadas e gastos emergenciais podem levar ao endividamento”, afirma.

Também de acordo com a pesquisa, transporte e mobilidade têm custo médio mensal para os potiguares de R$ 290 – mesmo valor com despesas referentes ao lazer –, enquanto os gastos com saúde e atividade física ficam em R$ 420. Com compras em geral, os custos giram em torno de R$ 240. Serviços e cuidados pessoais (barbearia, manicure e tratamentos estéticos) geram custo médio mensal de R$ 120 por indivíduo no Rio Grande do Norte.

Diferenças regionais

Conforme a pesquisa, nas compras de supermercado, o gasto médio mensal nacional é de R$ 930, com maior valor no Sul (R$1.110) e menor no Nordeste (R$ 780). Já nas contas recorrentes, a média mensal brasileira é de R$ 520, chegando a R$ 590 no Centro-Oeste e caindo para R$ 420 no Nordeste. Gastos com moradia (aluguel, condomínio ou financiamento), também apresentam forte variação regional, com média no Brasil de R$1.100 por mês.

O maior valor para moradia foi registrado no Sul (R$1.310) e o menor no Nordeste (R$ 800). Nos gastos com transporte e mobilidade, o brasileiro desembolsa, em média, R$ 350 por mês. O valor chega a R$ 410 no Sul e recua para R$ 270 no Nordeste. Já as despesas com saúde e atividade física têm média nacional de R$ 540, com Sul e Sudeste (com média de R$ 560 cada) registrando os maiores gastos e o Norte, o menor valor (R$ 460) – Nordeste teve custo médio de R$ 470.

No lazer, o gasto médio mensal é de R$ 340, com o Sul com o maior valor (R$ 400) e o Nordeste registrando o menor valor (R$270). Em educação, a média brasileira chega a R$ 620 por mês, com destaque para o Sudeste (R$ 730) e o Sul (R$ 700), enquanto o Norte apresenta gasto médio de R$ 420. Em compras em geral, a média mensal brasileira é de R$ 390, com variações mais moderadas entre as regiões – ainda assim o Norte aparece acima da média (R$ 430).

“As variações regionais mostram que o custo de vida está diretamente ligado ao contexto econômico local. Em regiões onde os preços são mais elevados, as despesas essenciais passam a consumir uma parcela ainda maior da renda disponível”, explica Nathália Fernandes, da Serasa.

Mesmo diante do peso do custo de vida, a mudança de cidade ainda não é vista como uma alternativa para a maioria dos brasileiros. Apenas 1 em cada 10 entrevistados considera se mudar em 2026 com o objetivo de reduzir despesas. “Os dados reforçam que o principal desafio está mais relacionado à reorganização do orçamento do que à mobilidade geográfica. A média de gastos dos brasileiros ainda é maior que o salário-mínimo projetado e isso mostra o quanto é preciso se planejar financeiramente, anotar os gastos e cuidar do orçamento para que seja possível fechar as contas sem cair em dívidas.” finaliza a especialista.