
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de barrar o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump isenta US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos.
O cálculo é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em dados de 2024 da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos. As tarifas derrubadas variavam de 10% a 40% e incidiam sobre parte dos produtos brasileiros.
A decisão afetou principalmente as chamadas tarifas recíprocas, eixo central da política comercial do governo Trump. Permanecem em vigor, no entanto, sobretaxas sobre aço e alumínio.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a entidade acompanha a decisão com cautela e seguirá monitorando os impactos, destacando a relevância da parceria comercial entre Brasil e EUA.
Após o julgamento, Trump classificou a decisão como “uma vergonha” e anunciou que pretende usar outro instrumento legal para impor uma tarifa global de 10% sobre importações. O republicano afirmou ainda que dispõe de “métodos mais fortes” para aplicar novas taxas.
Impactos recentes
Sob efeito do tarifaço, as exportações brasileiras para os EUA caíram 6,6%, passando de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões em 2025. O déficit comercial do Brasil com os americanos saltou para US$ 7,53 bilhões — alta de quase 2.900% em relação ao ano anterior.
Dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que o Brasil acumula déficits comerciais com os EUA desde 2009. O resultado de 2025 foi o pior desde 2022.
Linha do tempo
O tarifaço começou em abril, com taxação geral para diversos países. Em agosto, Trump anunciou uma sobretaxa de 50% específica para o Brasil, mas com mais de 700 exceções, como suco de laranja, petróleo e aeronaves.
Com o avanço das negociações entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os EUA retiraram tarifas de produtos como carne bovina, café, açaí e cacau. Nesta sexta-feira, a Suprema Corte derrubou as tarifas adicionais que ainda vigoravam.
Com informações de g1