MAIOR UNIDADE DE CONSERVAÇÃO DA CAATINGA É CRIADA NO RN

A Conferência Estadual dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no Rio Grande do Norte foi realizada nesta terça-feira (28), na sede do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente – Idema, reunindo representantes do poder público, sociedade civil, setor produtivo e instituições parceiras em um espaço de diálogo e construção coletiva. O evento teve como foco o fortalecimento da democracia, a defesa dos direitos humanos e a promoção de um modelo de desenvolvimento mais justo, inclusivo e sustentável, alinhado à Agenda 2030.

A mesa de abertura contou com a presença do secretário executivo da Comissão Nacional para os ODS, Lavito Bacarissa; de Diego Tenório, representando a Secretaria de Planejamento (Seplan) e a Comissão dos ODS; do diretor-geral do Idema, Werner Farkatt; do diretor técnico do Sebrae-RN, João Hélio Cavalcanti; de José Augusto, da Federação dos Municípios do RN (Femurn); da ativista Tayná Rodrigues, vice-presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial; de Luiza de Sá, do movimento RN Lixo Zero; e da prefeita de Santana do Seridó, Tatiana Araújo.

Durante a abertura, o diretor-geral do Idema, Werner Farkatt, ressaltou a importância da integração entre as pautas ambiental, social e econômica, além de destacar o papel do Instituto na realização do evento. “Quero agradecer a toda a equipe do Idema pela realização deste evento, trazendo bons frutos. Precisamos acreditar que temos apenas um planeta. Diante dos eventos extremos que estamos vivenciando, é fundamental unir essas temáticas para avançar. A criação de unidades de conservação para proteger a Caatinga é um dos nossos destaques”, afirmou.

Na sequência, o diretor técnico do Sebrae-RN, João Hélio Cavalcanti, destacou o impacto do projeto Pró-Catadores como instrumento de transformação social e ambiental. Segundo ele, a iniciativa busca melhorar as condições de vida dos catadores e fortalecer a gestão de resíduos sólidos nos municípios potiguares. “Para 2026, a proposta é beneficiar 630 catadores, entre autônomos e integrantes de organizações coletivas, além de envolver 45 prefeituras, fortalecendo cooperativas e promovendo a articulação na cadeia da reciclagem”, explicou.

Representando a Caixa Econômica Federal, o superintendente Tiago Pereira destacou o compromisso histórico da instituição com a sustentabilidade. “Fomos criados há 165 anos com a missão de apoiar a população, e hoje seguimos com esse propósito aliado à sustentabilidade. O Selo Caixa Gestão Sustentável reconhece municípios que investem em iniciativas que fazem a diferença para o mundo”, pontuou.

A programação da manhã teve como destaque a palestra magna de Lavito Bacarissa, que abriu oficialmente os trabalhos com uma reflexão sobre os caminhos do desenvolvimento sustentável no Brasil. Com o tema “A Agenda 2030 no Brasil: Fortalecer a Democracia e Defender os Direitos Humanos para a construção coletiva de um novo modelo de desenvolvimento sustentável”, o palestrante enfatizou o papel central da participação social.

“A participação social é a base para o desenvolvimento de políticas públicas. A Agenda 2030 só se concretiza quando chega aos territórios. Estávamos em um hiato na agenda do clima, e momentos como estes são fundamentais para retomar esse diálogo”, afirmou.

Lavito também destacou os princípios que estruturam a Agenda 2030. “É uma agenda referenciada em direitos humanos e baseada na ciência, com um lema muito claro, que é não deixar ninguém para trás”, disse. Ele ainda chamou atenção para os desafios históricos do país. “Diante da nossa base escravocrata, é essencial sensibilizar gestores para a pauta ambiental e incentivar ações concretas nos municípios”, ressaltou.

Ao encerrar, o secretário executivo destacou o protagonismo juvenil. “A juventude está de parabéns. Se há alguém que precisa liderar essa mudança, é a juventude, porque estamos falando de uma transformação cultural”, concluiu.

Na sequência da programação, a diretora-presidente da Desenvolve RN, Márcia Maia, apresentou as ações da instituição e destacou a importância de integrar os ODS às políticas públicas. “Precisamos internalizar essa agenda na gestão pública. Nossa atuação chega onde o empresariado não está, promovendo desenvolvimento e inclusão”, afirmou. A Desenvolve RN é a agência oficial de fomento do Governo do RN, com atuação voltada à concessão de crédito orientado, apoio técnico e fortalecimento do empreendedorismo. A instituição tem como missão estimular a geração de emprego e renda, contribuindo diretamente para o desenvolvimento social e econômico potiguar, especialmente em territórios com menor acesso a serviços financeiros tradicionais.

O ativista ambiental e membro da Comunidade Ambiental (COAMB), Wilen Ferreira, destacou que apenas 35% das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável foram alcançadas no mundo. Em sua fala, ele enfatizou o papel da juventude como sujeito político ativo e a importância da ocupação dos espaços de discussão, contribuindo para fortalecer os centros de participação, especialmente diante da crise climática.

“É fundamental criar conexões, pois muitas vezes ficamos presos a bolhas que acabam segregando vozes. Quando as pessoas se somam e se engajam, tudo muda. Em um contexto de crise climática, a Coamb se consolida como um espaço de protagonismo juvenil e de construção de caminhos possíveis para a transformação social”, afirmou.

Representando a sociedade civil, Tayná Rodrigues reforçou a necessidade de inclusão. “A construção de políticas públicas precisa considerar as vozes historicamente silenciadas. Sustentabilidade deve caminhar junto com justiça social e equidade racial”, afirmou. Já Luiza de Sá destacou a mobilização coletiva. “A sustentabilidade se constrói no cotidiano, com participação ativa da sociedade”, pontuou.

Durante o evento, as prefeituras de Bom Jesus e Santana do Seridó receberam o Selo Caixa Gestão Sustentável, reconhecimento concedido a municípios que desenvolvem ações alinhadas aos ODS.

Criação do Refúgio da Vida Silvestre Serra das Araras
No período da tarde, um dos momentos mais marcantes foi a assinatura do decreto de criação do Refúgio da Vida Silvestre Serra das Araras, que se torna a maior unidade de conservação da Caatinga no Rio Grande do Norte, com mais de 12 mil hectares.

A governadora Fátima Bezerra destacou a importância da iniciativa. “Estamos dando um passo histórico. A criação do Revis Serra das Araras demonstra que é possível crescer com responsabilidade, protegendo nossos biomas e garantindo qualidade de vida para as futuras gerações”, afirmou.

Para Werner Farkatt, a nova unidade representa um avanço estratégico. “O Revis nasce como símbolo do equilíbrio entre conservação e desenvolvimento, fortalecendo a proteção da Caatinga e valorizando as comunidades locais”, disse.

A coordenadora da Unidade de Gestão da Biodiversidade, Iracy Wanderley, também ressaltou a relevância da medida. “A Caatinga é um bioma único e desafiador em termos de conservação. A criação do Refúgio representa um avanço importante na proteção da biodiversidade potiguar”, afirmou.
Além da conservação ambiental, a unidade deverá impulsionar o turismo sustentável, especialmente o turismo de observação de aves, contribuindo para a geração de emprego e renda no interior do estado.

Debates temáticos
A programação seguiu com grupos de trabalho organizados em seis eixos temáticos: democracia e instituições fortes; sustentabilidade ambiental; inclusão social e combate às desigualdades; inovação tecnológica; governança participativa; e colaboração multissetorial e financiamento da Agenda 2030.

Na oportunidade, foram realizados debates em torno de cada eixo, promovendo a escuta ativa e a construção coletiva de propostas.

Após as discussões em torno de cada eixo, ocorreu as eleição dos delegados que representarão o Rio Grande do Norte na etapa nacional da Conferência dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Ao todo, foram eleitos 26 delegados, sendo 9 representantes do poder público e 17 da sociedade civil, além de suplentes, assegurando uma composição plural e representativa. A definição dos nomes considerou o equilíbrio entre diferentes setores e a diversidade de vozes, fortalecendo a legitimidade da participação do estado no debate nacional e contribuindo para a construção coletiva de propostas alinhadas aos desafios do desenvolvimento sustentável.