GOVERNO DO RN PLANEJA BARREIRA ORTOPÉDICA NO SERIDÓ, MAS AINDA SEM PRAZO

Foto: arquivo tn

A implantação de uma barreira ortopédica no Hospital Regional Telecila Freitas Fontes, em Caicó, será o próximo passo da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) para ampliar a descentralização do atendimento em ortopedia no Rio Grande do Norte. Embora ainda não exista prazo para o início do serviço, o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, confirmou que a estrutura física já está pronta, com novos leitos criados, e aguarda apenas a etapa de contratação e aquisição de equipamentos para entrar em funcionamento.

Atualmente, o Estado conta com duas barreiras ortopédicas em operação. A primeira funciona no Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho, em Macaíba, com atendimento 24 horas, enquanto a segunda está instalada em Assú. O modelo foi criado para receber pacientes com lesões ortopédicas de menor complexidade, como fraturas de braço, punho, clavícula e outros casos que não exigem procedimentos de maior complexidade. Nessas unidades, os pacientes são avaliados e tratados, evitando deslocamentos desnecessários para os grandes hospitais estaduais.

“A barreira de Caicó será uma ferramenta importante para todo o Seridó e regiões próximas. A estrutura física já está pronta, mas ainda precisamos concluir os mecanismos de contratação e de estruturação do serviço. Nossa ideia é implantá-la o mais breve possível”, afirmou.

Os casos mais graves, como fraturas de fêmur, quadril e outras situações que demandam estrutura especializada, continuam sendo encaminhados para os hospitais de referência. Dependendo da região de saúde, os pacientes seguem para o Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró, ou para o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal.

Segundo Alexandre Motta, a estratégia nasceu ainda na gestão da ex-secretária Lyane Ramalho, diante da necessidade de reduzir a pressão sobre o Walfredo Gurgel, historicamente sobrecarregado pelo grande volume de atendimentos ortopédicos. A experiência iniciada em Macaíba serviu como projeto-piloto e, de acordo com a Sesap, apresentou resultados expressivos.

Em aproximadamente três anos de funcionamento, a unidade de Macaíba já contabiliza cerca de 10 mil atendimentos e mais de 1,5 mil cirurgias realizadas. Os números, segundo o secretário, demonstram que o modelo conseguiu acelerar o atendimento dos casos menos complexos e reduzir a demanda reprimida nos hospitais de referência.

O mesmo conceito foi levado para Assú, a segunda barreira criada. Antes da implantação, pacientes da região precisavam ser regulados para Mossoró mesmo em situações de menor gravidade e, muitas vezes, retornavam ao município após a avaliação. Com o novo fluxo, esses atendimentos passaram a ser realizados na própria cidade, deixando para o Hospital Tarcísio Maia apenas os casos que realmente necessitam de maior complexidade.

Para o Seridó, a expectativa é repetir essa lógica. A futura barreira ortopédica funcionará no Hospital Regional Telecila Freitas Fontes e deverá atender pacientes de Caicó e municípios vizinhos, incluindo cidades da região de saúde que engloba o município de Santa Cruz, no Agreste. A implantação, no entanto, ainda depende da estruturação do serviço, que deverá ser realizada por meio do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Seridó (CIS/Seridó), em parceria com o Governo do Estado.

Alexandre Motta afirma que a expansão das barreiras integra um processo de reorganização da rede estadual de ortopedia. Segundo ele, somente nos últimos cinco anos foram realizadas cerca de 107 mil cirurgias ortopédicas no Rio Grande do Norte. A avaliação da Sesap é que a descentralização dos atendimentos permitiu reduzir o tempo de espera para procedimentos de menor complexidade e desafogar os principais hospitais de urgência do Estado, especialmente o Walfredo Gurgel.