DINO AUTORIZA 3º INQUÉRITO DA PF CONTRA LULINHA; VAZAMENTO TAMBÉM SERÁ INVESTIGADO

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O ministro Flávio Dino, do STF, autorizou a Polícia Federal a abrir um terceiro inquérito sobre suspeita de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e aliados dele. Dino também determinou a abertura de uma quarta investigação, voltada à apuração de vazamento de informações sigilosas dos inquéritos. A apuração é de Fausto Macedo, do Estadão

Indicado por Lula ao STF, Dino foi sorteado relator dos novos processos depois que a PF apresentou os pedidos sem indicar conexão direta com André Mendonça, relator da operação sobre desvios no INSS que originou as primeiras provas contra Lulinha. Mendonça foi indicado à Corte por Jair Bolsonaro.

Não há detalhes sobre o objeto da investigação sobre os vazamentos, que corre sob sigilo. A defesa de Roberta Luchsinger, empresária amiga de Lulinha, havia pedido ao Ministério da Justiça a apuração sobre suposto vazamento de conversas dela.

A movimentação dos inquéritos acirrou o clima entre Mendonça e a PF. O ministro já havia cobrado da corporação o envio de detalhes das provas do caso INSS e alertado que mudanças na equipe de investigação deveriam ser comunicadas a ele.

A desconfiança começou depois que a PF alterou o setor responsável pelo inquérito do INSS, o que resultou na saída do delegado que coordenava o caso e havia pedido quebras de sigilo de Lulinha. Os dois primeiros pedidos de inquérito acabaram enviados novamente a Mendonça por sorteio.

O primeiro trata de suspeita de tráfico de influência no Ministério da Saúde e no Palácio do Planalto. O segundo, revelado pelo Estadão, mira suspeita de negócios envolvendo a Dataprev, empresa de tecnologia do governo federal.

A terceira investigação tem o objetivo de apurar ações de aliados de Lulinha em outros órgãos do governo. Os pedidos da PF não solicitaram explicitamente a saída dos casos da relatoria de Mendonça, mas abriram brecha para a redistribuição.

No primeiro pedido, a PF solicitou prazo inicial de 60 dias para diligências e o compartilhamento de provas de uma fase da Operação Sem Desconto que mirou Roberta Luchsinger. Segundo o Estadão, ela foi mais de 40 vezes a órgãos federais sem registro em agendas oficiais entre 2023 e 2025.

As visitas tiveram como destino o então ministro Alexandre Padilha, em 2023, e o Ministério da Saúde, órgão de interesse do Careca do INSS, inclusive na companhia dele. A PF cita provas do inquérito do INSS para apontar suspeita de tráfico de influência envolvendo Lulinha e a empresária.

Os pedidos chegaram ao STF durante o recesso, sob presidência interina de Alexandre de Moraes, que consultou a Procuradoria-Geral da República sobre a relatoria. A PGR opinou por distribuição livre, mas novo sorteio manteve Mendonça como relator, que só soube do caso na noite de 29 de julho.