FUGA E CONVERSAS COM FACCIONADO: O QUE ANTECEDEU A EXONERAÇÃO DA CÚPULA DA ADMINISTRAÇÃO PENITENCIÁRIA DO RN

Foto: Reprodução/SEAP

As tensões no sistema penitenciário potiguar, com recentes fugas, e a divulgação de conversa entre uma representante da Administração Penitenciária com um detento, autointitulado membro da facção Comando Vermelho, marcaram as últimas semanas até a exoneração do secretário Helton Edi Xavier e da secretária-adjunta Arméli Marques Brennand. A decisão foi comunicada pelo Governo do Estado nesta quarta-feira (9).

O episódio mais recente da crise foi a divulgação de um vídeo, nesta quarta-feira, em que a secretária-adjunta Arméli Brennand aparece conversando com um detento na Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, que integra o Complexo Penal de Alcaçuz, na Grande Natal. Ao afirmar que é membro da facção criminosa Comando Vermelho, o preso pediu a retomada de visitas íntimas a cada 15 dias, argumentando que isso ajudaria a manter os internos disciplinados dentro da unidade.

“Se tiver a visita conjugal de 15 em 15 dias, vai ter disciplina, porque eu não vou querer perder a minha conjugal, eu não vou querer arrumar problema com polícia, porque eu vou perder a minha visita. Eu não vou querer arrumar problema com policial não. Mas como eu estou há 10 anos sem visita e o policial está me aloprando, ameaçando, como eu sou da lei dos 30, eu vou dizer a ele que não tenho medo dele”, disse.

Na gravação, a secretária-adjunta fala aos presos que a pasta promoveu melhorias no sistema prisional, mas disse ter encontrado dificuldades para alcançar outros avanços. “Não me agradeçam por nada. Porque nada que eu tenha feito até agora foi favor, ou quase nada, mas o pouco que conseguimos não foi favor, foi obrigação”, disse ela. Conforme apurou a TRIBUNA DO NORTE, a conversa ocorreu no dia 26 de agosto.

Com a repercussão do caso, a Seap chegou a convocar uma entrevista coletiva por volta do meio-dia desta quarta-feira, confirmando a presença da então secretária-adjunta. No entanto, a coletiva foi cancelada cerca de uma hora depois. No fim da tarde, o governo anunciou a exoneração dela e do secretário Helton Edi Xavier por meio de nota. A motivação não foi esclarecida no texto.

Fugas

Antes do episódio repercutido nesta quarta, a pasta convivia com um cenário de crise causado por fugas no Complexo de Alcaçuz. No dia 31 de julho, 11 detentos fugiram da Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga. A fuga foi registrada às 5h30 e ocorreu quando os detentos retiraram um vaso sanitário de concreto e alumínio da cela e escavaram uma passagem pela tubulação. Ao todo, 13 detentos deixaram a cela, mas 11 conseguiram escapar do complexo. Destes, seis ainda permanecem foragidos.

No dia 7 de agosto, policiais penais impediram a fuga de criminosos em uma das celas na Cadeia Pública de Ceará-Mirim. Segundo o Sindicato dos Policiais Penais no Estado do Rio Grande do Norte (Sindppern), os agentes identificaram que os internos quebraram parte da estrutura de ventilação da unidade e retiraram ferragens para abrir um buraco e viabilizar a fuga. Na tentativa de esconder o trabalho realizado, os presos utilizaram uma tipo de massa falsa para encobrir a área danificada.

Já na terça-feira (8), outro episódio de fuga foi registrado. O detento Anderson Stallone Flores dos Santos conseguiu deixar a Penitenciária Estadual de Alcaçuz, utilizando a obra de ampliação do módulo de saúde. Ele passou por duas linhas de concertina instaladas sobre a muralha da penitenciária.

Além disso, houve uma fuga registrada fora do presídio. Um detento levado para atendimento UPA em São José de Mipibu, também na Grande Natal, conseguiu escapar da unidade mesmo sob escolta da Polícia Penal. Ele foi recapturado na última segunda-feira (7), quatro dias após ter se evadido.

Tribuna do Norte