OPERAÇÃO CAMAROTE SUS APURA FRAUDE NA FILA DE CONSULTAS E EXAMES NO RN

Foto: reprodução MPRN

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) deflagrou nesta segunda-feira (26) a operação Camarote SUS, que investiga um esquema de manipulação da fila de consultas e exames da rede pública de saúde. A apuração aponta o uso de um perfil falso no sistema de regulação e de ferramentas automatizadas para bloquear vagas e direcionar atendimentos a pessoas previamente selecionadas.

A investigação envolve três pessoas, sendo dois servidores públicos e um empresário, além de uma empresa de assessoria em saúde. Entre os crimes investigados estão inserção de dados falsos em sistema, alteração indevida de programa informático, corrupção, desvio de cotas públicas, ocultação de bens e associação criminosa.

Com apoio da Polícia Militar, as equipes cumpriram mandados de busca e apreensão em Natal, Extremoz e Parnamirim. A operação mobilizou quatro promotores de Justiça, dez servidores do MPRN e 16 policiais militares.

Como funcionava o esquema

Segundo a investigação, as irregularidades começaram em 29 de agosto de 2022, quando os suspeitos utilizaram os dados de um paciente real para criar um usuário falso no sistema informatizado de saúde. O perfil clandestino recebeu permissões administrativas que permitiam aprovar procedimentos, cancelar marcações e controlar vagas de atendimento.

O grupo teria utilizado agendamentos simulados para bloquear vagas por períodos de até sete dias. Depois, cancelava as marcações temporárias e transferia os horários para pessoas previamente escolhidas, desrespeitando a ordem oficial da fila de espera.

Para ampliar a velocidade das operações, os investigados também teriam utilizado programas de automação capazes de agendar e bloquear dezenas de horários em poucos minutos.

O MPRN identificou pelo menos 578 agendamentos e autorizações de atendimento vinculados ao usuário falso durante o período investigado.

Investigação apura pagamentos e ocultação de provas

Relatórios de rastreamento digital identificaram acessos ao perfil clandestino a partir de computadores de repartições públicas, residências e da sede da empresa investigada.

O Ministério Público também apura suspeitas de transferências bancárias entre os envolvidos. Os valores seriam destinados a viabilizar marcações irregulares de consultas e direcionar cotas públicas de saúde a clientes específicos.

Outra linha da investigação envolve a possível exclusão de arquivos e o cancelamento do usuário falso para ocultar provas.

Durante a operação desta segunda-feira, foram apreendidos celulares, computadores e documentos em endereços relacionados à apuração. O material será submetido à análise técnica do MPRN para auxiliar no esclarecimento dos fatos e na conclusão das investigações.