BANCO CENTRAL REDUZ TAXA DE JUROS APÓS QUASE DOIS ANOS

Edifício-Sede do Banco Central em Brasília

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil iniciou nesta quarta-feira 18 o ciclo de ajuste da taxa básica de juros e reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. A decisão marca a primeira queda desde maio de 2024 e a primeira sob a gestão de Gabriel Galípolo no BC.

A redução estava alinhada à projeção da maior parte do mercado financeiro, que já indicava a taxa em 14,75% ao ano.

Mesmo com o cenário internacional impactado pela guerra no Irã, o colegiado manteve o plano sinalizado anteriormente, em reunião realizada em janeiro, quando indicou a possibilidade de iniciar a flexibilização da política monetária em março.

Apesar da decisão, o comitê não indicou quais serão os próximos passos e deixou a condução futura em aberto. No comunicado, mencionou um “forte aumento da incerteza” e evitou termos como redução ou cortes, adotando a expressão “calibração” da política de juros.

Influência do conflito no Oriente Médio

Segundo o Copom, a definição dos próximos movimentos dependerá de maior clareza sobre a profundidade e a extensão do conflito no Oriente Médio e seus efeitos econômicos.

“O comitê entende que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, diz o comunicado.

O colegiado também afirmou que, no cenário atual, “os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.

O início da redução dos juros ocorre em meio a incertezas externas relacionadas ao conflito no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo para mais de US$ 100 por barril, ante cerca de US$ 72 antes do início da guerra.

O aumento do petróleo já pressiona os preços dos combustíveis no país, mesmo sem anúncio de reajustes por parte da Petrobras.

A expectativa do mercado financeiro para a inflação em 2026 registrou alta na semana anterior.

De acordo com o Copom, os conflitos no Oriente Médio afetam “direta e indiretamente” a inflação no Brasil e ampliaram os riscos, tanto de alta quanto de baixa, que já estavam acima do padrão habitual.

A decisão foi tomada de forma unânime pelos sete membros que participaram da reunião. O colegiado ainda não conta com substitutos para os diretores Diogo Guillen e Renato Gomes, cujos mandatos foram encerrados em 31 de dezembro de 2025.