
O Brasil registrou, em 2024, o menor índice de mortalidade infantil das últimas três décadas, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O resultado reflete a queda nas mortes tanto no período neonatal — até 28 dias de vida — quanto entre crianças menores de cinco anos.
No comparativo histórico, a taxa de mortalidade neonatal caiu de 25 para 7 óbitos a cada mil nascidos vivos. Já entre crianças de até cinco anos, o índice recuou de 63 para 14 mortes por mil nascidos. O desempenho acompanha uma tendência global de redução e aproxima o país das metas estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que preveem limites de até 12 mortes por mil nascidos vivos na fase neonatal e até 25 entre menores de cinco anos.
Apesar do avanço, especialistas alertam que a redução não ocorre de forma homogênea no território nacional. A Região Norte ainda concentra os maiores índices de mortalidade infantil, especialmente entre populações indígenas e quilombolas, que enfrentam maiores dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
Casos recentes evidenciam essas desigualdades. Em Roraima, um surto de coqueluche registrado entre janeiro e fevereiro resultou na morte de três crianças Yanomami, doença que poderia ser evitada por meio da vacinação.
De acordo com especialistas, as principais causas de morte variam conforme a faixa etária. Entre recém-nascidos, a prematuridade lidera os óbitos, seguida por anomalias congênitas e complicações no parto. A recomendação é ampliar o acesso ao pré-natal adequado, com pelo menos sete consultas ao longo da gestação, como forma de reduzir riscos.
Já entre crianças maiores, fatores evitáveis ganham maior relevância, como doenças infecciosas. Nesse contexto, a ampliação da cobertura vacinal é considerada fundamental para prevenir casos graves de enfermidades como o sarampo.
Outro fator apontado é a alimentação. Crianças em situação de vulnerabilidade, com acesso limitado a alimentos saudáveis, tendem a apresentar maior risco de infecções e complicações de saúde.
Dados globais reforçam a dimensão do desafio. Em 2024, cerca de 4,9 milhões de crianças morreram antes de completar cinco anos em todo o mundo, sendo 2,3 milhões ainda no período neonatal. Entre as principais causas estão complicações da prematuridade, problemas durante o parto, infecções e anomalias congênitas.
Agora RN