BRASIL MANTÉM LIDERANÇA MUNDIAL EM MORTES POR LGBTFOBIA; RN REGISTROU CASOS EM 2024

O Brasil voltou a encerrar o ano entre os países com maior número de mortes violentas de pessoas LGBT+ no mundo. Dados do Observatório de Mortes Violentas de LGBT+ no Brasil, coordenado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), apontam que 257 pessoas LGBT+ foram vítimas de mortes violentas em 2025, mantendo o país no topo de um ranking negativo que se repete há mais de uma década.

O levantamento revela que, mesmo com uma redução de 11,7% em relação a 2024, quando foram registrados 291 casos, o cenário segue alarmante. Na prática, isso significa que uma pessoa LGBT+ foi morta, em média, a cada 34 horas no Brasil ao longo de 2025.

Do total contabilizado no último ano, 237 mortes foram classificadas como homicídios e 20 como suicídios, segundo os critérios adotados pela organização. Os números reforçam que a queda estatística não representa, necessariamente, uma mudança estrutural no padrão de violência enfrentado por essa população.

O relatório do GGB é produzido a partir de monitoramento contínuo de notícias publicadas em jornais, portais, redes sociais e blogs, além de informações encaminhadas diretamente à entidade. A organização ressalta que os dados não refletem a totalidade dos casos ocorridos no país.

Isso ocorre porque o Brasil não possui um sistema oficial que registre, de forma padronizada, orientação sexual ou identidade de gênero nas estatísticas de mortes violentas. Sem esse recorte, muitos crimes deixam de ser identificados como motivados por LGBTfobia.

Além de homicídios e suicídios, o levantamento inclui outras causas de morte violenta, como latrocínios, atropelamentos e casos classificados como acidentes, quando há indícios de violência ou negligência associadas à discriminação.

O cenário do Rio Grande do Norte

Embora o boletim público de 2025 ainda não traga o detalhamento por estado, o relatório completo de 2024 mostra que o Rio Grande do Norte registrou dois casos de mortes violentas de pessoas LGBT+ naquele ano.

O número representa 0,69% do total nacional, mas evidencia que a violência também está presente no estado. Em comparação, São Paulo liderou o ranking em 2024, com 53 registros, seguido por Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso.

O levantamento aponta ainda que todos os 27 estados brasileiros registraram ao menos uma morte violenta de pessoa LGBT+ em 2024, indicando que o problema não está restrito a regiões específicas.

Contexto e desafios

Especialistas e entidades de direitos humanos alertam que a subnotificação segue como um dos principais entraves para o enfrentamento do problema. Muitos crimes não têm a motivação reconhecida nas investigações, o que dificulta a formulação de políticas públicas eficazes.

No Rio Grande do Norte, o desafio passa pela qualificação dos registros, fortalecimento das redes de proteção e ampliação de políticas preventivas, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade social.

O que mostram os dados do GGB

• 257 mortes violentas de pessoas LGBT+ no Brasil em 2025

• Redução de 11,7% em relação a 2024

• 237 homicídios e 20 suicídios registrados

• Média de uma morte a cada 34 horas

• Ausência de estatísticas oficiais com recorte LGBT+ no país

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