CRESCE A UTILIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS PSIQUIÁTRICOS

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O uso de medicamentos psiquiátricos no Brasil teve um aumento de 25% no volume de compras nos últimos três anos, conforme dados do Programa de Benefício em Medicamentos (PBM) corporativo da epharma, entre janeiro de 2022 e agosto de 2025. No Rio Grande do Norte, o Conselho Regional de Farmácia (CRF/RN) e a Associação Norte-rio-grandense de Psiquiatria (ANP) destacam que o estado também registrou um crescimento no uso desses fármacos, refletindo a maior demanda por tratamentos para transtornos mentais.

O PBM corporativo da epharma indica um aumento nas vendas de antidepressivos na Região Nordeste entre janeiro de 2025 e agosto de 2025. Os medicamentos com maior crescimento foram o cloridrato de fluoxetina (5,73%), cloridrato de sertralina (4,78%) e desvenlafaxina (3,92%), todos amplamente utilizados no tratamento de transtornos como depressão, ansiedade, pânico e Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

O Conselho Regional de Farmácia disse que acompanha com atenção o crescimento do uso de medicamentos psiquiátricos no Brasil e também no estado. “O fenômeno reflete um contexto amplo de desafios relacionados à saúde mental da população”, disse Joselito Rangel, presidente do CRF/RN.

Segundo ele, o uso de medicamentos como antidepressivos, ansiolíticos e outros entorpecentes e psicotrópicos aumentou após a pandemia. “Estudos epidemiológicos mostram que as vendas e o consumo desses medicamentos cresceram ao longo dos últimos anos, com destaque para antidepressivos e antipsicóticos”, destaca Rangel.

Joselito Rangel explica que a situação do estado deve acompanhar a média nacional. Segundo o especialista, o crescimento está inserido em um contexto mais amplo, que envolve fatores sociais, refletindo mudanças nas condições de saúde mental da população. “Ainda que o acesso a tratamentos formais possa ser positivo para casos clínicos devidamente diagnosticados, é essencial que esse crescimento venha acompanhado de políticas integradas de saúde mental”, disse o presidente.

O presidente da ANP, Ernane Pinheiro, considera que o aumento no uso de medicamentos psiquiátricos se deve a dois fatores no RN: o aumento de casos de doenças mentais e a quantidade de médicos que aumentou. “Quando há maior oferta de médicos, há, naturalmente, uma prescrição de maior número de medicamentos,” revela Ernane Pinheiro.

Ele destaca que o médico psiquiatra deveria atuar junto com outros profissionais, como, por exemplo, psicólogos, educadores físicos e nutricionistas para garantir um tratamento mais eficaz. “Os outros profissionais da saúde, eles colaboram para o tratamento, ou seja, se existe um medicamento prescrito, também deveria existir a psicoterapia e as mudanças positivas no estilo de vida”, explica o psiquiatra.

Tribuna do Norte