
Os deputados etsaduais voltaram a cobrar explicações sobre o atraso no repasse de empréstimos consignados aos bancos. A oposição quer que o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, pré-candidato ao governo do RN, seja convocado para detalhar a retenção de recursos que já ultrapassa R$ 600 milhões, segundo o Sindicato dos Servidores da Administração Direta (Sinsp).
O deputado estadual Gustavo Carvalho (PL) foi o primeiro a pressionar por respostas. Nesta terça-feira (10), ele alertou que o governo precisa esclarecer a situação antes das renúncias previstas da governadora Fátima Bezerra (PT) e do secretário, no início de abril. Carvalho anunciou também que vai apresentar pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que já conta com apoio de oito parlamentares.
O problema atinge diretamente servidores que tiveram parcelas descontadas de empréstimos desde julho de 2025, mas sem repasse ao Banco do Brasil. A retenção gerou bloqueio de novos empréstimos, risco de negativação dos funcionários e redução da circulação de recursos na economia local.
O presidente da Comissão de Finanças e Fiscalização, Luiz Eduardo (PL) destacou que o consignado é um recurso essencial para servidores em situações de emergência, reformas, exames ou manutenção de veículos. “Há oito meses o governo retém o recurso e não repassa ao banco. Isso prejudica diretamente a vida do trabalhador e o comércio do Estado”, disse.
José Dias (PL) também criticou a situação, afirmando que o volume de recursos é expressivo e exige transparência do governo. Ele cobrou regularização imediata e responsabilização do Executivo, reforçando o impacto sobre a rotina dos servidores e da economia potiguar.
Pagamentos de terceirizados atrasados
Além dos consignados, deputados citaram atrasos no pagamento de terceirizados, falta de pagamento de férias e paralisação de cirurgias no Hospital Walfredo Gurgel, principal unidade de trauma do estado. Luiz Eduardo também questionou a liberação de emendas parlamentares, destacando que a inadimplência prejudica serviços essenciais à população.
O secretário Cadu Xavier já havia reconhecido os atrasos em agosto de 2025, prevendo quitação até dezembro, o que não ocorreu. Na época, ele explicou que a prioridade do governo é manter a folha salarial em dia e que 82% dos valores consignados, cerca de R$ 73,5 milhões por mês, estavam pendentes com o Banco do Brasil.