
A pressão interna do MDB contra o apoio do partido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições deste ano expõe um racha nacional no partido. Um grupo de dirigentes estaduais e lideranças da sigla entregou ao presidente nacional da legenda, deputado Baleia Rossi, um documento pedindo que o partido não integre o projeto de reeleição de Lula.
Entre os articuladores do movimento está o deputado federal Rafael Pezenti (MDB-SC), que afirmou que o partido precisa se afastar do governo federal para evitar perda de identidade política.
Segundo ele, 16 presidentes de diretórios estaduais do partido assinaram o documento, além de lideranças importantes da legenda em nível nacional. Entre os nomes citados estão o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Alceu Moreira, e o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo.
“O MDB não estará no projeto de reeleição do Lula. Esse é o primeiro passo para a reconstrução do partido”, afirmou Pezenti ao comentar o movimento interno.
O parlamentar também fez críticas duras ao governo federal e disse que pretende atuar para mudar os rumos da legenda: “Ou mudo de partido ou mudo o partido. Preferi ficar no MDB para ajudar a conduzir o partido para outra direção”, declarou.
Situação no Rio Grande do Norte
No Rio Grande do Norte, a posição do MDB segue em direção diferente da defendida pelo grupo de dirigentes que assinou o documento. Procurado pela reportagem do GRUPO DIAL NATAL, o presidente do MDB potiguar, Walter Alves confirmou que mantém apoio ao presidente Lula, apesar de não haver uma aliança formal com o PT na política estadual e ter demonstrado apoio ao pré-candidatura de Allyson Bezerra (União).
A estratégia local tem sido separar o alinhamento nacional da disputa política no estado, onde o partido mantém articulações próprias e busca preservar autonomia na formação de chapas e alianças para as próximas eleições.