
Em sua tradicional mensagem para a Quaresma, o Papa Leão XIV pediu aos fiéis que o “jejum também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas”.
Papa Leão XIV, em sua mensagem oficial para a Quaresma 2026 intitulada “Escutar e jejuar. Quaresma como tempo de conversão”, exortou os fiéis a praticarem um jejum que vá além da abstinência de alimentos, incluindo a renúncia a palavras que ferem o próximo.
A Quaresma é o período de 40 dias entre entre a Quarta-Feira de Cinzas e a Páscoa, considerada a data mais importante do calendário litúrgico da Igreja Católica, já que representa a ressurreição de Jesus Cristo. Na tradição cristã, é um tempo de reflexão, oração e penitência.
Segundo o pontífice, além da abstinência de alimentos, o período deve incluir “uma forma de abstinência muito concreta e frequentemente pouco apreciada”, que segundo ele é renunciar a palavras que atingem e ferem o próximo.
“Esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs”, escreveu Leão XIV.
O Pontífice estruturou sua proposta em três eixos principais para uma conversão autêntica.
Primeiro, acolher a Palavra de Deus com docilidade, permitindo que ela eduque para uma escuta verdadeira da realidade, especialmente o clamor dos pobres e sofredores.
Segundo o jejum concreto, que deve “passar pela língua” para reduzir palavras mordazes, julgamentos temerários, calúnias e fofocas.
Leão XIV enfatizou contextos práticos para cultivar gentileza: família, amizades, trabalho, redes sociais, debates políticos e comunidades cristãs.
Ele propôs “desarmar a linguagem”, trocando ódio por esperança e paz, tornando as relações um caminho para a “civilização do amor”. Por fim, destacou a dimensão comunitária, onde a escuta coletiva abre portas à reconciliação e à justiça.
A mensagem, divulgada em 12 ou 13 de fevereiro, ressoa em um mundo polarizado pelas redes sociais e discursos agressivos.
O Papa concluiu bendizendo o caminho quaresmal, pedindo comunidades atentas aos últimos e diligentes na construção de diálogo.
Foto: Vatican News