RN TEVE 155 CASOS DE LEPTOSPIROSE DE 2014 A 2025

Entre 2014 e 2025 foram registrados 155 casos de leptospirose e 16 mortes pela doença no Rio Grande do Norte, de acordo com dados do Ministério da Saúde (MS). No ano passado, foram 10 casos e uma morte. Conforme o MS, o ano de 2019 registrou seis óbitos, o número mais alto do recorte. Especialistas ouvidos pela reportagem alertam para o aumento dos riscos de contaminação em períodos de chuva. A leptospirose é uma doença infecciosa causada por uma bactéria (Leptospira) transmitida pela urina de ratos.

A infectologista Gisele Borba, do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), explica que os sintomas da doença são febre, dor muscular (principalmente nas panturrilhas), náuseas e vômitos. “Em casos mais graves, surgem icterícia (cor amarelada nos olhos, na região das escleras), insuficiência renal, hemorragias, insuficiência respiratória”, afirma. “Sem um quadro grave, os sintomas são difíceis de diferenciar de uma doença viral”, alerta o médico infectologista Igor Thiago.

Por conta disso, ele orienta sobre a necessidade de procurar atendimento em caso de contato com água de transbordamento de chuvas ou esgoto. “Quando galerias pluviais e esgotos transbordam, o risco de contaminação por leptospirose aumenta porque estes são locais onde possivelmente há roedores infectados”, fala Igor Thiago.

O diagnóstico da doença é feito por meio de exames específicos, segundo afirma Gisele Borba. “O chamado diagnóstico presuntivo é feito por exames de sangue gerais (hemograma, ureia, creatinina, TGO, TGP, bilirrubinas, sumário de urina)”, esclareceu. No entanto, segundo a médica, a confirmação do quadro é feita por meio de sorologia. A médica alerta, ainda, para os riscos decorrentes de agravamento da doença, com comprometimento renal e respiratório.

“As formas graves podem deixar sequelas como insuficiência renal, o que irá requerer diálise, e podem levar ao óbito”, alerta Gisele Borba. O tratamento é feito com antibiótico. “Já os quadros graves necessitam de internação e uso de antibiótico intravenoso”, detalha o infectologista Igor Thiago.

Gisele Borba chama atenção para períodos chuvosos com alagamentos, como os que têm sido registrados nos últimos dias em Natal: “Alagamentos são os eventos mais relacionados à transmissão da leptospirose, já que as águas de enchente carreiam urina de ratos e as pessoas são forçadas a caminhar nessa água”, pontua.

Segundo o Ministério da Saúde, o Nordeste teve 6.298 casos de leptospirose de 2014 a 2025, dos quais 465 foram registrados no ano passado. No recorte, o ano mais crítico foi 2022, com 999 casos na região.