VALOR DA PRODUÇÃO DE LEITE SALTA 82% EM QUATRO ANOS NO RN

Foto: Magnus Nascimento

O valor da produção de leite no Rio Grande do Norte saltou de R$ 538 milhões para R$ 981 milhões entre 2020 e 2024, segundo informações da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) divulgada pelo IBGE. Com um crescimento em volume de 2,4% frente a 2023, o estado atingiu a marca de 394,5 milhões de litros anuais em 2024 — uma média diária de 1,09 milhão.

De acordo com o IBGE, o leite responde por 52,86% do total do valor de produção dos produtos da pecuária potiguar. O município de Caicó, no Seridó, se manteve como maior produtor de leite do estado. Em 2024, foram 41 milhões de litros produzidos no município, um aumento de 20,53% em comparação com 2023.

Enquanto a produção de leite cresceu 2,4%, o número de vacas ordenhadas caiu no estado. Foram contabilizadas 259,5 mil vacas ordenhadas em 2024, 2,7% a menos do que em 2023.

Isso foi observado também a nível nacional, com crescimento de 1,4% na produção de leite, atingindo a marca recorde de 35,7 bilhões de litros e movimentando R$ 87,5 bilhões, e queda de 2,8% no número de vacas ordenhadas no país. Em 2024, mesmo com menos vacas ordenhadas, houve alta na produção nacional frente a 2023. E o valor da produção do leite aumentou 9,4% entre os dois anos.

Para o IBGE, os dados revelam um crescimento contínuo na produtividade brasileira que, com incremento de 4,3%, chegou a 2.362 litros/vaca/ano. O resultado é reflexo do investimento do setor em aprimoramento genético e manejo do rebanho, aliado a um processo de otimização e reorganização da base produtiva.

Incentivo ao produtor e desafios

A Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (Faern) avalia como muito positivo o desempenho da produção leiteira no RN entre 2020 e 2024. “Entre os fatores que explicam esse avanço estão a expansão da bacia leiteira, com maior participação de pequenos e médios produtores, e a resiliência dos produtores, que mesmo diante das dificuldades conjunturais conseguiram manter a atividade e aproveitar a demanda crescente por derivados lácteos”, diz a entidade, em nota.

Além disso, a Faern destaca que a assistência técnica, como a ATeG, do Senar, contribui com os produtores na gestão da propriedade e no manejo alimentar e reprodutivo, para melhorar a eficiência produtiva. O apoio governamental, por meio de programas de compra institucional e incentivo às cooperativas e agroindústrias (projeto RN Sustentável), também é citado como fator para incremento da produção.

Segundo a Secretaria da Agricultura, da Pecuária e da Pesca (Sape-RN), o estado tem políticas de incentivo à pecuária leiteira, principalmente para o pequeno agricultor, para que ele se mantenha em sua região com ou sem estiagem. Essas políticas contribuíram para o crescimento da produção leiteira nos últimos anos, na avaliação da pasta.

Um dos incentivos é o programa de distribuição de sementes, com a distribuição do sorgo para ração animal e a distribuição de feno por meio da Emparn (Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN). Além disso, conforme a Sape-RN, o crescimento das queijeiras incentiva a pecuária de leite.

A Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social tem ainda o Programa do Leite Potiguar, e a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar do Rio Grande do Norte conta com incentivo para os pequenos produtores da agricultura familiar.

“É importante reconhecer, no entanto, que o setor enfrenta uma crise nacional, marcada por custos elevados e margens estreitas. No Nordeste, os impactos são menores, mas ainda exigem atenção e medidas de apoio para garantir a sustentabilidade da atividade”, aponta a Faern.

A entidade cita como dificuldades enfrentadas pelos produtores de leite potiguares os custos de produção elevados, clima irregular, com períodos de seca que dificultam a produção, e o acesso ainda limitado ao crédito rural.

A federação aponta ainda as principais cidades produtoras, conforme cada região: Oeste Potiguar: Mossoró, Apodi e Caraúbas; Seridó: Currais Novos e Caicó; e Agreste: Santa Cruz e municípios vizinhos, além do Alto Oeste: Pau dos Ferros e Umarizal.

  • Principais municípios produtores de leite no RN em 2024 (em litros)
  1. Caicó – 41 milhões
  2. Jucurutu – 28,3 milhões
  3. Jardim de Piranhas – 15,3 milhões
  4. Santana do Matos – 12,3 milhões
  5. Jardim do Seridó – 11,9 milhões

Fonte: IBGE