
O vice-governador do Rio Grande do Norte, Walter Alves (MDB), falou pela primeira vez sobre os motivos que o levaram a decidir não assumir o comando do Governo do Estado. Em um comunicado à imprensa distribuído pelo MDB, partido que ele preside no RN, Walter Alves afirmou que tomou a decisão para não ser o “responsável pelo colapso financeiro do Estado em apenas oito meses”.
Em janeiro, Walter rompeu com o PT, disse que seria candidato a deputado estadual nas eleições de outubro e anunciou que, por causa disso, não assumiria o governo se fosse confirmada a renúncia da governadora Fátima Bezerra (PT) — à época, a petista pretendia deixar o cargo para ser candidata ao Senado. Na ocasião, Walter declarou também apoio à pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União).
No comunicado, Walter também declarou que vai permanecer no mandato até o fim (5 de janeiro de 2027). Ele destacou que mantém sua pré-candidatura a deputado estadual e registrou que a legislação eleitoral não o obriga a renunciar ao mandato de vice-governador.
Por lei, pretensos candidatos não podem assumir cargos no Executivo nos seis meses antes da eleição. Com isso, esperava-se que Walter Alves fosse renunciar ao mandato até 4 de abril. Mas, como a governadora Fátima Bezerra declarou nesta semana que não vai mais disputar o Senado, permanecendo no mandato até o fim, Walter disse que também permanecerá como vice-governador.
“Recebi a missão de ser vice-governador e estou cumprindo. O que não posso é assumir a cadeira de governador e ser responsável pelo colapso financeiro do Estado, em apenas oito meses. Ficarei como vice-governador até porque, que eu saiba, a governadora não pode me demitir. Sou pré-candidato a deputado estadual”, disse, no comunicado.
No texto distribuído à imprensa, o MDB também ressalta que Walter Alves não teve “espaço na administração estadual”. A nota ignora nomes indicados pelo partido que assumiram secretarias, como Paulo Varella (Meio Ambiente e Recursos Hídricos), Alan Silveira (Desenvolvimento Econômico) e Luciano Santos (Assuntos Federativos), além de Sergio Rodrigues (presidência da Caern). Desses quatro, apenas Alan Silveira e Sergio Rodrigues deixaram os respectivos cargos depois do rompimento de Walter Alves com Fátima Bezerra, em janeiro.
“O vice-governador tem atuado de forma presente junto aos municípios, ouvindo demandas e articulando soluções. A pré-candidatura a deputado estadual surge como continuidade desse trabalho, ampliando sua atuação no Legislativo estadual”, acrescenta a nota.
O partido diz, ainda, que “a decisão também foi construída em diálogo com lideranças políticas, prefeitos, vereadores e aliados em todo o Rio Grande do Norte, consolidando um projeto político pautado na união, no diálogo e no compromisso com resultados concretos para a população.”
Fátima culpa Walter
As declarações de Walter Alves e do MDB ocorrem na mesma semana em que Fátima Bezerra confirmou que desistiu de disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026 e que, portanto, permanecerá no cargo até o fim do mandato.
Segundo a governadora, o plano de disputar o Senado foi inviabilizado após a decisão do vice-governador Walter Alves de não assumir o governo após a eventual renúncia de Fátima. A dupla renúncia, se confirmada, levaria o Estado à realização de uma eleição indireta na Assembleia Legislativa, na qual o PT não teria garantia de eleger o sucessor.
Nos bastidores, o PT conta hoje com apoio de cerca de 8 deputados estaduais, número insuficiente para alcançar os 13 votos necessários para eleger governador e vice para um mandato tampão. A Assembleia tem, ao todo, 24 parlamentares.
“Para viabilizar a candidatura ao Senado, era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um Rio Grande do Norte governado pelo povo. São escolhas e motivações que o tempo há de esclarecer e que o impediram de assumir a tarefa mais honrosa que um cidadão pode ter: governar o Estado. Um movimento articulado para tirar o PT do Senado”, afirmou Fátima Bezerra.
De acordo com Fátima, tanto Lula quanto Edinho Silva lamentaram “profundamente” a configuração do cenário político-eleitoral no RN. “Ficaram muito surpresos com essa decisão abrupta do vice-governador. Vocês lembram que estava tudo encaminhado. Estávamos trabalhando a nominata, a transição já em curso”, destacou a governadora.