
O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado Federal, foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (18). A investigação apura um suposto esquema de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça ligado ao Banco Master. Policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo e Bahia.
Segundo a PF, Jaques Wagner é investigado por supostamente atuar em defesa de interesses do Banco Master no Congresso Nacional. Em contrapartida, o parlamentar teria recebido vantagens indevidas, incluindo um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões em Salvador, além de repasses financeiros realizados por meio de empresa ligada a familiares.
A operação também tem como alvo o ex-banqueiro Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno e apontado pelos investigadores como aliado de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
De acordo com a investigação, o senador teria atuado em favor de projetos de interesse da instituição financeira, entre eles a chamada “Emenda Master” e uma proposta de ampliação do limite do crédito consignado. Os investigadores também apuram o uso de aeronaves e o recebimento de ingressos para eventos como possíveis benefícios relacionados ao esquema.
As suspeitas surgiram após a análise de mensagens encontradas no celular de Augusto Lima. Jaques Wagner já havia sido citado em fases anteriores da investigação por supostamente intermediar contatos entre integrantes do grupo financeiro e autoridades.
Além dos mandados de busca e apreensão, a decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou medidas cautelares como a proibição de contato entre investigados e a suspensão de passaportes.
Os fatos apurados pela Polícia Federal podem caracterizar os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Compliance Zero
A Operação Compliance Zero teve início em novembro de 2025, quando a Polícia Federal prendeu o então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e outros investigados, entre eles Augusto Lima. Na mesma ocasião, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do banco. Solto dias depois, Vorcaro voltou a ser preso em março de 2026 e segue detido em Brasília. As investigações apontam que ele liderava um suposto esquema envolvendo articulação política, obtenção de informações sigilosas e intimidação de desafetos.
Com informações do G1