
A decisão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) de incluir novos blocos exploratórios na Oferta Permanente de Concessão (OPC) reacendeu as expectativas de um novo ciclo de investimentos no setor de petróleo e gás no Rio Grande do Norte. Com audiência pública marcada para o dia 28 de abril, o certame prevê a inclusão de 45 blocos, sendo oito terrestres na Bacia Potiguar — considerados estratégicos para o Estado.
A ampliação do portfólio pode destravar investimentos de até R$ 7 bilhões no RN, com potencial de geração de até 20 mil empregos, segundo estimativas do Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro-RN). O número de blocos na Bacia Potiguar saltou de 33 para 41, reforçando o peso da região no contexto do onshore brasileiro.
A atualização do edital eleva de 450 para 495 o total de blocos disponíveis no País, além de cinco áreas com acumulações marginais. Segundo a ANP, o objetivo é ampliar a atratividade das áreas e viabilizar um novo ciclo de ofertas ainda em 2026, em um modelo que permite maior flexibilidade e continuidade nas licitações.
Para o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Hugo Fonseca, a medida tende a ampliar o leque de oportunidades no Estado, sobretudo em campos terrestres. “Quando se aumenta a disponibilidade de novos campos, possibilita-se novos investimentos”, afirma. Ele destaca ainda que a entrada de novos operadores pode impulsionar a cadeia produtiva local, com efeitos sobre fornecedores, serviços e arrecadação.
A visão é compartilhada por agentes do setor. Para a Brava Energia, que atua na exploração no Estado, a Bacia Potiguar permanece como uma das principais fronteiras do petróleo onshore no País. A empresa avalia que a ampliação das áreas ofertadas pode estimular novos projetos e fortalecer o desenvolvimento socioeconômico regional.
Historicamente, o Rio Grande do Norte tem buscado reposicionar sua indústria petrolífera após a saída gradual da Petrobras de ativos terrestres. Em diferentes momentos, o governo estadual tem defendido a atração de novos operadores independentes como forma de revitalizar campos maduros e ampliar a produção. Em declarações recentes, o ex-presidente da Petrobras e ex-senador Jean Paul Prates destacou o potencial do Estado para consolidar um novo ciclo de exploração baseado em empresas de médio porte, com maior agilidade operacional.
A audiência pública prevista pela ANP será etapa fundamental do processo, abrindo espaço para manifestações de empresas, entidades e sociedade civil. Segundo representantes do setor, o debate também deverá abordar os impactos socioambientais da exploração terrestre, especialmente em áreas próximas a comunidades.
A Oferta Permanente de Concessão consolidou-se como principal modelo de licitação no país ao permitir a oferta contínua de blocos, diferentemente dos leilões tradicionais. Nesse formato, um novo ciclo é iniciado a partir da manifestação de interesse de empresas habilitadas, o que tende a dar maior previsibilidade ao mercado.
Para o coordenador do Sindipetro-RN, Marcos Brasil, o momento é de mobilização para atrair investidores. “Temos conversado com grandes empresas, convidando-as para participar e adquirir esses blocos”, afirma. A expectativa é que o interesse do mercado se traduza em novos contratos e, consequentemente, na reativação da atividade econômica em regiões historicamente dependentes da indústria petrolífera.
O desempenho do leilão será acompanhado de perto por governos e agentes econômicos locais, que veem na retomada dos investimentos em petróleo e gás uma das principais alavancas de crescimento para o Estado nos próximos anos.