AQUICULTURA ULTRAPASSA R$ 1 BILHÃO NO RN, IMPULSIONADA PELA PRODUÇÃO DE CAMARÃO

A aquicultura movimentou mais de R$ 1 bilhão no Rio Grande do Norte em 2025, alta de 13,31% em relação aos R$ 889,8 milhões registrados em 2024. A produção de camarão respondeu por R$ 782,87 milhões, ou 77,65% do valor da produção aquícola. Já larvas e pós-larvas de camarão representaram R$ 181,18 milhões, ou 17,97%. O RN é o segundo maior produtor do crustáceo, atrás apenas do Ceará. Os dados são da última Pesquisa da Pecuária Municipal, do IBGE.

Os dados da aquicultura inaccluem piscicultura (peixes), carcinicultura (camarão) e malacocultura (ostras, vieiras e mexilhões). Segundo o levantamento, a produção de camarões está presente em 14 estados brasileiros e no Rio Grande do Norte o crescimento em termos financeiros foi de 11,62%, enquanto a produção em quilogramas aumentou 20,11% – 31.620.945 para 37.978.491 kg. O estado é responsável por 22% de todo o produto produzido no país.

Em valor, as produções de camarão mais relevantes do RN estão concentradas em Pendências (R$ 177,62 milhões), Canguaretama (R$ 126,72 milhões), Arez (R$ 126 milhões) e Senador Georgino Avelino (R$ 123,20 milhões). A aquicultura potiguar também teve participação da tilápia, com R$ 32,91 milhões (3,26%). Outros peixes somaram R$ 4 milhões (0,40%).

Já a criação potiguar de ostras, vieiras e mexilhões cresceu 77,14% em 2025 somando 310 toneladas produzidas, ante 175 toneladas de 2024. O valor de produção gerado pelo segmento quase dobrou, saindo de R$ 3,70 milhões para R$ 7,26 milhões de um ano para o outro.

Com projeções de expansão de cerca de 15% ao ano, a carcinicultura potiguar vive um momento de forte dinamismo econômico. O estado se firma na segunda posição nacional da atividade, mas o avanço do setor no RN é acompanhado por um debate sobre o rigor ambiental, a segurança e a agregação de valor na cadeia produtiva. Segundo Orígenes Monte Neto, presidente da Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores de Camarão (ANCC), embora o Ceará lidere o volume bruto de produção, o modelo potiguar se destaca pela regularidade e solidez.

Ele diz que o Ceará tem cerca de 85% das fazendas sem licença ambiental, ou aguardando o documento. “Eles não têm uma fiscalização ambiental tão rigorosa como nós. Temos uma carcinicultura mais antiga, sólida e tecnificada do que o Ceará, mas, em quantidade, eles superam.”

A dominância do camarão no ecossistema aquícola do estado conta com suporte científico e tecnológico. Segundo Arthur Néo, economista e vice-presidente do Conselho Regional de Economia do RN, a estrutura produtiva potiguar traz um importante diferencial competitivo ao reter valor tecnológico no estado. “O dado mais relevante do ponto de vista estrutural não é apenas a engorda, mas o peso dos laboratórios de larvas e pós-larvas, porque isso demonstra que o Rio Grande do Norte não apenas importa matéria-prima bruta, mas retém valor adicionado tecnológico no início da cadeia, fornecendo insumos genéticos e biológicos para outros estados produtores”, analisa Néo. A atividade é intensiva na geração de postos de trabalho diretos e indiretos, desde o manejo e despesca até a logística, impulsionando o comércio local e a arrecadação de tributos.

Apesar do viés de crescimento, lideranças do setor apontam entraves burocráticos e operacionais que travam novos investimentos. Para a ANCC, a morosidade nos órgãos ambientais é o principal desafio enfrentado pelos criadores. “Para crescer, a carcinicultura precisa ter uma vontade dos órgãos ambientais de não ser tão rigorosos. Tem pessoas que querem ampliar as fazendas que já existem ou querem implantar novas fazendas e ficam dois anos, dois anos e meio, aguardando a licença ambiental”, diz Monte Neto.

Outro custo que pesa no bolso dos carcinicultores é a segurança privada. De acordo com o presidente da ANCC, em muitas propriedades o investimento em vigilância patrimonial chega a superar os custos de produção. Para responder aos gargalos de competitividade, o setor privado tem buscado acelerar o uso de automação, ferramentas digitais, inteligência artificial e softwares de gestão nos viveiros.

Interiorização

Para o Governo do Estado, o foco está em aliar regularização ambiental com inclusão social por meio da interiorização da atividade. Guilherme Saldanha, secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca do RN, defende que o crescimento do estado tem ocorrido de forma responsável. “Comparando o crescimento do Ceará com o crescimento do RN, se percebe claramente que a atividade de camarão no RN tem sido infinitamente mais sustentável do que no estado vizinho. Aqui, mais de 90% dos criadores de camarão têm licenças ambientais e outorgas de água”, afirma.

O secretário destaca a aprovação recente de um projeto de lei na Assembleia Legislativa focado no deslocamento da atividade das áreas estuarinas (foz de rios e manguezais) em direção ao interior do estado. “Estamos aproveitando a segurança hídrica das barragens e os solos cristalinos ao longo dos rios, onde a menor infiltração permite montar viveiros com pouco investimento e integrar pequenos produtores”, explica Saldanha.

A iniciativa conta com aportes do governo federal e parcerias com o Sebrae e o Senar para capacitação, assistência técnica e extensão rural. Para impulsionar os pequenos criadores, o governo prevê ainda a desburocratização dos processos e a concessão de licenças ambientais gratuitas

NÚMEROS

Produção de camarão em 2025 – Valor da produção (em R$)

Ceará: 1.929,70 milhões
Rio Grande do Norte: 782,87 milhões
Paraíba: 444,87 milhões
Bahia: 129,84 milhões
Piauí: 94,64 milhões
Pernambuco: 92,61 milhões
Sergipe: 84,20 milhões
Alagoas: 49,88 milhões
Maranhão: 7,63 milhões
Santa Catarina: 7,60 milhões
Pará: 2,90 milhões
Rio de Janeiro: 1,67 milhão
Paraná: 1 milhão
Espírito Santo: 72 mil

Fonte: IBGE