DOR CRÔNICA AFETA 40% DOS BRASILEIROS

Cerca de 40% da população brasileira convive com algum tipo de dor crônica, condição que passa a contar com uma data nacional de conscientização e com a garantia de assistência integral aos pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A avaliação é do médico Levi Jales, presidente da Sociedade Norte-rio-grandense de Estudo da Dor.

Segundo o especialista, a criação do Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Dor Crônica, celebrado em 5 de julho, integra o Projeto Brasil Sem Dor, desenvolvido pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED). A proposta foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela Presidência da República.

Além de instituir a data, a legislação determina que pacientes com dor crônica atendidos pelo SUS tenham acesso à assistência integral. Levi Jales explicou que a dor crônica é caracterizada pela persistência dos sintomas por mais de três meses e afirmou que o elevado número de pessoas afetadas reforça a necessidade de ampliar o conhecimento sobre o tema entre profissionais da saúde.

“O projeto institui que todo paciente atendido no SUS, portador de dor crônica, deve ter assistência integral. Então a responsabilidade é muito grande.”

Para o médico, o estudo da dor deve fazer parte da formação de todos os profissionais da área. Segundo Levi Jales, o tratamento da dor crônica exige uma abordagem multiprofissional, envolvendo médicos, enfermeiros, odontólogos, psicólogos, fisioterapeutas e outros profissionais da saúde.

Ele afirmou que a condição provoca limitações importantes na rotina dos pacientes, reduz a qualidade de vida e frequentemente está associada à depressão e à ansiedade, formando um ciclo que dificulta a recuperação.

Entre as doenças que mais provocam dor persistente, o especialista destacou a lombalgia crônica e a fibromialgia. Além da dor, pacientes com fibromialgia costumam apresentar fadiga, distúrbios do sono, ansiedade e sintomas depressivos, fatores que comprometem a capacidade para o trabalho.

De acordo com Levi Jales, a dor crônica está entre as principais causas de afastamento das atividades profissionais. O especialista afirmou que a prevenção depende principalmente da adoção de hábitos saudáveis, com destaque para a prática regular de atividade física.

Além dos exercícios, ele citou alimentação equilibrada e controle da ansiedade como medidas que contribuem para reduzir o risco de desenvolvimento da dor crônica.

Levi Jales chamou atenção para a dificuldade de muitos pacientes em obter um diagnóstico preciso. Segundo ele, é comum que pessoas com dor crônica passem por diversos consultórios sem uma definição da causa do problema, o que compromete o início do tratamento adequado.

“O diagnóstico é necessário para um tratamento adequado. Quando a pessoa não tem um diagnóstico, fica passando de consultório em consultório sem uma definição do que possa ser.”

O tratamento da dor crônica, segundo o médico, envolve tanto medicamentos quanto terapias complementares. Entre os medicamentos utilizados estão analgésicos, relaxantes musculares, antidepressivos, anticonvulsivantes e opioides. Levi Jales alertou que estes últimos podem provocar dependência, motivo pelo qual o uso deve ser acompanhado por um médico.

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Especialista Levi Jales fala sobre dor crônica – Foto: Reprodução / 94 fm

Além da terapia medicamentosa, ele destacou recursos como fisioterapia, acupuntura, estimulação elétrica e estimulação magnética transcraniana, técnica que utiliza campos magnéticos para fortalecer os mecanismos cerebrais de modulação da dor e que também pode contribuir para o tratamento da depressão.

O especialista também ressaltou que a acupuntura é reconhecida como especialidade médica no Brasil e atua estimulando mecanismos naturais do organismo relacionados ao controle da dor.

Levi Jales também convidou médicos e acadêmicos para a celebração dos 95 anos da Associação Médica do Rio Grande do Norte, marcada para 29 de julho, às 19h, no Teatro Riachuelo, em Natal.