
A movimentação de cargas no Porto de Natal encerrou 2025 com crescimento de 21,23% em relação ao ano anterior, atingindo 494.963 toneladas, ante 408.293 toneladas em 2024, segundo dados da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern). O desempenho consolida a retomada operacional do terminal e reforça a estratégia de atração de investimentos públicos e privados para o complexo portuário.
Ao longo do ano, o avanço foi marcado por forte volatilidade mensal, com picos relevantes no 2º semestre. Em outubro, a movimentação atingiu 80.219 toneladas, alta de 74,56% na comparação anual. Em agosto, o crescimento chegou a 271,33%, enquanto setembro avançou 46,29%. Por outro lado, meses como janeiro (-36,05%) e julho (-59,99%) registraram retração, evidenciando a sazonalidade das operações, fortemente concentradas na exportação de frutas.
No acumulado, o porto manteve trajetória positiva ao longo do ano, encerrando o 1º semestre com crescimento moderado e acelerando no 2º, quando o volume total passou de 171.479 toneladas em junho para 494.963 toneladas em dezembro.
Segundo o diretor-presidente da Codern, Paulo Henrique Macedo, o desempenho operacional tem contribuído para ampliar o interesse de investidores internacionais no ativo. “A Codern tem despertado interesse de investidores, inclusive da Índia. Um exemplo concreto é o arrendamento do Pátio Norte pela empresa indiana Fomento do Brasil”, afirmou.
O movimento ocorre em meio à execução do Plano de Modernização da Infraestrutura Portuária, que prevê investimentos estruturantes para elevar a competitividade do terminal. Entre as intervenções estão a reforma de armazéns e galpões, implantação de sistema de energia fotovoltaica e projetos previstos como a dragagem do canal de acesso, melhorias nas defensas da Ponte Newton Navarro e substituição de estruturas do cais.

A estratégia de financiamento combina recursos públicos e participação privada. A Lei Orçamentária Anual da União para 2026 prevê aporte de cerca de R$ 80 milhões para a companhia, enquanto contratos de arrendamento e parcerias ampliam a capacidade de investimento. Um dos exemplos é o acordo de transição com a empresa Top Link para o pátio sul, que prevê investimentos de aproximadamente R$ 3 milhões em um ano.
De acordo com a direção da companhia, o modelo não envolve privatização do porto, mas sim ampliação de parcerias com a iniciativa privada por meio de arrendamentos, considerados essenciais para ganhos de eficiência operacional e sustentabilidade financeira. O crescimento recente está diretamente associado ao aumento das exportações, sobretudo de frutas, principal carga escoada pelo terminal. A expansão desse fluxo, combinada à retomada de projetos estruturantes no âmbito do Novo PAC, tem reposicionado o Porto de Natal em um novo ciclo de desenvolvimento. A Codern avalia que, com a consolidação dos investimentos e a ampliação das áreas arrendadas, a tendência é de continuidade da expansão da movimentação nos próximos anos, com maior previsibilidade operacional e diversificação de cargas.