
As exportações brasileiras somaram US$ 82,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, superando os US$ 76,9 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O resultado é o maior já apurado para os três primeiros meses de um ano. De acordo com o Estadão, o avanço foi puxado principalmente pelo aumento no volume de vendas de petróleo bruto, que cresceu 31%, para US$ 12,562 bilhões.
A produção de petróleo no Brasil atingiu 3,770 milhões de barris por dia em 2025, segundo a ANP — também um recorde. Como a capacidade de refino interna é limitada, o excedente é direcionado ao mercado externo. Economistas alertam que o crescimento tende a desacelerar quando a produção alcançar o limite operacional das empresas.
O conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, reduziu o tráfego de navios no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo global. Isso levou países asiáticos a buscar fornecedores alternativos, como o Brasil. O preço do barril do tipo Brent chegou a superar US$ 110 no período.
A China foi o principal destino do petróleo brasileiro no trimestre: as exportações saltaram de US$ 3,702 bilhões para US$ 7,192 bilhões. Para a Índia, as vendas passaram de US$ 577,4 milhões para US$ 1,027 bilhão. Em sentido oposto, as exportações para os Estados Unidos recuaram de US$ 1,065 bilhão para US$ 632,3 milhões.
Diante dos resultados, o Ministério do Desenvolvimento revisou a projeção de exportações de 2026 de US$ 348,3 bilhões para US$ 364,2 bilhões. A estimativa para o superávit comercial também foi ajustada, de US$ 68,1 bilhões para US$ 72,1 bilhões. Se confirmado, o valor superará o recorde anterior, registrado em 2025, de US$ 348,7 bilhões em exportações.
Analistas apontam que o saldo comercial não deve ser maior porque a alta nos preços internacionais também encarece os produtos importados. A dependência de commodities expõe o País a variações externas fora de seu controle, como a duração do conflito no Oriente Médio. O impacto final sobre a balança em 2026 dependerá do desdobramento da guerra e de seus efeitos nas cadeias globais de abastecimento.