MAIS DE 6 MIL CARROS ELÉTRICOS CIRCULAM NO RN E REDUZEM IMPACTO AMBIENTAL

O Rio Grande do Norte já conta com mais de 6 mil carros elétricos em circulação, segundo o Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Norte (Detran). Ao todo, são 6.089 veículos movidos exclusivamente por energia elétrica registrados no Estado, de acordo com a última atualização, divulgada nesta semana.

De acordo com o Detran, a maior parte da frota é composta por veículos elétricos com fonte externa de recarga, que somam 5.390 unidades. São aqueles veículos que precisam ser recarregados na tomada ou em eletropostos. O levantamento também registra 425 veículos elétricos classificados como de fonte interna (aqueles que geram a eletricidade a bordo, sem depender de tomada) e outros 274 enquadrados na categoria de elétricos (categoria genérica, normalmente atribuída a carros mais antigos).

O Estado contabiliza ainda 5.301 veículos híbridos em circulação, considerando diferentes tecnologias de motorização. Desse total, 2.391 são modelos movidos a gasolina e eletricidade, 1.664 utilizam sistema híbrido flex (gasolina, álcool e eletricidade), 697 são híbridos plug-in, que podem ser recarregados na tomada, 384 são classificados como híbridos convencionais (cuja bateria é recarregada internamente) e 165 combinam motores a diesel e elétrico.

O crescimento desse tipo de veículo acompanha uma tendência observada em todo o país. A ampliação da oferta de modelos, a entrada de novas montadoras no mercado brasileiro e a expansão gradual da infraestrutura de recarga têm contribuído para o aumento da presença desses veículos nas ruas, além da procura dos consumidores por economia, diante da alta do preço da gasolina.

Um carro 1.0 turbo a gasolina, com consumo médio de 12 km/l e combustível a R$ 7 por litro, gera um gasto mensal em torno de R$ 700. Já um veículo 100% elétrico compacto, com bateria de 38 kWh e autonomia próxima de 300 km, pode ter custo mensal de cerca de R$ 152 em recargas domésticas para percorrer a mesma distância, valor que pode ser ainda menor em residências com energia solar.

Nos híbridos plug-in, a combinação entre motor elétrico e combustão reduz o gasto mensal para aproximadamente R$ 354, quase metade do custo de um carro convencional. Apesar de ainda enfrentarem limitações em viagens longas, os veículos eletrificados ganham espaço pela economia no uso diário e já começam a competir com modelos a combustão também no preço de compra, especialmente nos segmentos compactos e médios.

Impacto reduzido

Do ponto de vista ambiental, especialistas apontam que os carros elétricos tendem a emitir menos carbono ao longo de sua vida útil quando comparados aos veículos movidos a combustão. Um levantamento citado pelo Conselho Internacional de Transporte Limpo indica que a emissão de carbono pode ser até 68% menor ao considerar todo o ciclo de vida do veículo, incluindo sua fabricação.

No entanto, estudos observam que a produção dos veículos elétricos, especialmente das baterias, exige maior consumo de energia e de minerais como lítio, níquel e cobalto. Isso faz com que o impacto ambiental inicial seja mais elevado do que o de um carro convencional. Os elétricos podem ser cerca de 30% menos ecológicos no momento da fabricação, mas essa diferença tende a ser compensada após alguns anos de uso devido à redução das emissões durante a circulação.

Outro fator considerado importante é a origem da eletricidade utilizada para abastecer os veículos. Quanto maior a participação de fontes renováveis na matriz energética, maior tende a ser o ganho ambiental proporcionado pelos carros elétricos. No caso do Rio Grande do Norte, que lidera a geração de energia eólica no país e possui forte expansão da energia solar, o contexto favorece uma eletrificação com menor pegada de carbono.

Pesquisas recentes também indicam que, mesmo levando em conta as emissões geradas na fabricação das baterias, os veículos elétricos apresentam menor emissão total de CO₂ ao longo da vida útil do que modelos a gasolina ou diesel. A principal diferença está no fato de que os carros elétricos concentram parte relevante das emissões na etapa de produção, enquanto os veículos a combustão continuam emitindo poluentes durante toda a operação.

Além dos efeitos sobre o clima, a eletrificação da frota é associada à redução da poluição urbana e a possíveis benefícios para a saúde pública. Estudos apontam que a diminuição da emissão de gases e partículas provenientes dos motores pode contribuir para a melhoria da qualidade do ar nas cidades.

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Mais de 6 mil carros elétricos circulam no RN e reduzem impacto ambiental

IPVA

Os proprietários de veículos 100% elétricos no Rio Grande do Norte passaram a pagar uma alíquota maior de IPVA em 2026. A mudança decorre da Lei nº 12.206, sancionada pela governadora Fátima Bezerra (PT) no fim de 2024, que instituiu um escalonamento gradual da cobrança para esse tipo de veículo.

Após anos de isenção, os carros elétricos passaram a recolher IPVA com alíquota de 0,5% em 2025. Neste ano, o percentual foi elevado para 1%, o dobro do cobrado anteriormente. A legislação prevê uma nova alteração em 2027, quando a alíquota passará para 1,5%.

Segundo a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), a medida é aplicada exclusivamente aos veículos totalmente elétricos. Os modelos híbridos continuam enquadrados na mesma faixa tributária dos automóveis movidos a combustão, com alíquota de 3%.

Mesmo com o aumento gradual, os veículos elétricos continuarão recebendo tratamento tributário diferenciado. Ao final do período de transição, em 2027, a alíquota de 1,5% corresponderá à metade da cobrada sobre os demais veículos no estado, atualmente fixada em 3%.

Mudança em condomínios

A expansão da frota de veículos elétricos no Rio Grande do Norte tem impulsionado mudanças na legislação e nas normas de construção voltadas à adaptação da infraestrutura urbana. Nesse contexto, a Assembleia Legislativa vem discutindo um projeto de lei que garante aos proprietários o direito de instalar estações individuais de recarga para veículos elétricos em edificações residenciais e comerciais.

A proposta, de autoria do deputado estadual Neilton Diógenes (PP), busca assegurar a implantação de pontos de recarga em condomínios, acompanhando o avanço da mobilidade elétrica e a crescente demanda por estruturas adequadas para abastecimento desses veículos.

A iniciativa se soma a medidas já previstas na legislação municipal de Natal. O novo Código de Obras da capital, instituído pela Lei Complementar nº 258/2024, tornou obrigatória a previsão de soluções para recarga de veículos elétricos em empreendimentos residenciais multifamiliares e em edificações não residenciais de grande porte.

A exigência está prevista no artigo 142 da norma e tem como objetivo adequar novos projetos imobiliários à expansão da eletromobilidade. A regra, entretanto, não se aplica a programas habitacionais públicos ou empreendimentos subsidiados com recursos públicos.