
As mulheres brasileiras enfrentam um cenário financeiro consideravelmente mais árduo que os homens, revelou um levantamento do Datafolha divulgado nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026. A pesquisa aponta que quatro em cada dez brasileiros expressam ‘mau humor’ em relação às suas finanças, mas esse sentimento de insegurança atinge 44% das mulheres, contrastando com a percepção masculina e expondo uma vulnerabilidade que afeta sua dignidade e saúde mental.
A pesquisa do Datafolha também investigou os ganhos por gênero, evidenciando uma disparidade salarial no Brasil. Homens concentram os salários mais altos, enquanto a grande maioria das mulheres está nas faixas de renda mais baixas.
Entre aqueles que recebem até dois salários mínimos, 75% são mulheres, frente a 64% dos homens. Já na comparação das faixas superiores, apenas 2% das mulheres alcançam cinco salários mínimos ou mais, enquanto 6% dos homens atingem esse patamar.
A precariedade financeira se reflete diretamente na vida pessoal: cerca de 36% das mulheres entrevistadas estão com nome negativado, contra 30% dos homens. Essa realidade de dívidas e escassez é uma das principais razões pelas quais 42% das mulheres sentem que a situação financeira prejudica sua saúde mental e seu bem-estar diário, um impacto que atinge 28% dos homens.
No panorama geral, entre todos os entrevistados, 48% identificam sua situação financeira como regular. Apenas 6% a consideram ruim e 5% a classificam como péssima. Apesar dos desafios, um otimismo notável prevalece: 37% dos brasileiros acreditam que a situação irá melhorar significativamente no futuro.
No entanto, dados de outro estudo, a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, divulgado em meados de abril de 2026 pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), sugerem que o caminho pode não ser tão simples. Esse levantamento anterior mostrou que 31% dos brasileiros não possuem qualquer reserva financeira, e apenas 3% têm poupança suficiente para cinco anos ou mais.
A urgência da situação é sublinhada pelos últimos dados do Banco Central (BC), que indicam um endividamento recorde, atingindo 49,9% das famílias brasileiras. O comprometimento da renda para quitar débitos também chegou ao maior patamar desde 2005, aprofundando o cenário de vulnerabilidade para milhões.
Para este levantamento, o Datafolha ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 117 municípios brasileiros, durante os dias 8 e 9 de abril. A pesquisa possui uma margem de erro de dois pontos percentuais para cima ou para baixo, dentro de um nível de confiança de 95%.