
A presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Norte (Cosems-RN), Maria Eliza Garcia, alertou para as dificuldades enfrentadas pelos municípios de pequeno porte na assistência a pacientes com câncer. Segundo ela, muitas prefeituras não dispõem de estrutura financeira e de serviços especializados para garantir todas as etapas do atendimento, desde a identificação de alterações em exames preventivos até a confirmação do diagnóstico e o início do tratamento.
A gestora defendeu uma divisão mais equilibrada das responsabilidades entre União, Estado e municípios para assegurar a continuidade da assistência.
A avaliação foi apresentada durante o Diálogo Saúde Regional Nordeste – Global Forum, realizado na última sexta-feira 30, na Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer, em Natal. Maria Eliza, que também é secretária municipal de Saúde de Doutor Severiano, no Alto Oeste potiguar, participou dos debates na condição de diretora de municípios de pequeno porte do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).
Durante o encontro, a presidente do Cosems-RN destacou que as equipes da Atenção Primária à Saúde (APS), responsáveis pelo primeiro atendimento à população no Sistema Único de Saúde (SUS), frequentemente identificam pacientes que precisam de investigação especializada. Entretanto, a continuidade do acompanhamento depende de serviços que nem sempre estão disponíveis no próprio município.
“Não adianta fazermos toda a parte preventiva se não tivermos uma regulação que funcione e uma oferta de serviços garantida. São dois pontos fundamentais para assegurar que essa pessoa consiga dar continuidade ao seu cuidado e tenha acesso ao tratamento no tempo necessário”, ressaltou.
A declaração chama atenção para a necessidade de articulação entre as unidades básicas de saúde e os estabelecimentos responsáveis por exames, consultas especializadas e tratamento oncológico. A regulação do SUS organiza o encaminhamento dos pacientes para esses serviços, de acordo com a disponibilidade da rede e as necessidades assistenciais.
Segundo Maria Eliza, quando um exame preventivo apresenta alterações, a demora na realização dos procedimentos seguintes provoca preocupação entre pacientes, familiares e profissionais de saúde. A identificação inicial de um possível problema precisa ser acompanhada de investigação adequada para que o diagnóstico seja confirmado e o tratamento possa começar oportunamente.
Divisão de responsabilidades
Outro ponto abordado pela presidente do Cosems-RN foi a capacidade limitada das pequenas prefeituras para custear procedimentos especializados. Ela defendeu maior integração entre os diferentes níveis de governo, com definição das responsabilidades financeiras e assistenciais de cada um.
Na avaliação apresentada pela gestora, serviços que exigem maior estrutura não podem ficar exclusivamente sob responsabilidade dos municípios de pequeno porte. A assistência precisa ser organizada regionalmente, permitindo que pacientes sejam encaminhados para unidades de referência capazes de realizar os procedimentos necessários.
A regionalização também foi apontada como uma condição para que as ações de prevenção desenvolvidas pelas equipes municipais tenham resultados efetivos. Para a presidente do Cosems, o planejamento da rede deve considerar tanto a capacidade de identificar possíveis casos quanto a disponibilidade de atendimento nas etapas seguintes.
Maria Eliza participou de duas mesas de discussão: “O Nordeste como protagonista de uma nova agenda para o câncer” e “Da suspeita ao diagnóstico: a APS como porta de entrada para o cuidado oncológico oportuno”.
O evento teve como tema central “A força da Atenção Primária na transformação da oncologia” e reuniu gestores, profissionais e instituições de saúde para discutir a integração entre os serviços básicos e especializados.
Pacto contra o câncer do colo do útero
A programação também incluiu um ato institucional de adesão ao Pacto OncoNordeste pela Eliminação do Câncer do Colo do Útero. A iniciativa busca reunir instituições e gestores em torno de compromissos regionais para o enfrentamento da doença, com atenção à prevenção, ao diagnóstico e à assistência às pacientes.
Promovido pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, em parceria com a Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer, o Diálogo Saúde Regional Nordeste – Global Forum teve como objetivo discutir estratégias de fortalecimento da rede pública de saúde e ampliar a articulação entre municípios, instituições de referência, profissionais e organizações da sociedade civil.
*Atualizado em 02/11/2026 às 21h31
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