
As chuvas registradas nas últimas semanas no Rio Grande do Norte trouxeram alívio para parte dos reservatórios, mas ainda não foram suficientes para afastar o risco hídrico no estado. Levantamento atualizado do Instituto de Gestão das Águas (Igarn) revela que 34 reservatórios permanecem com menos de 20% da capacidade, mantendo um cenário de alerta em diversas regiões.
Os dados mostram que houve avanço no volume total armazenado, mas a recuperação não ocorre de forma uniforme. Enquanto alguns mananciais já apresentam níveis mais confortáveis, outros seguem em situação crítica, com volumes extremamente baixos.
Atualmente, o panorama dos reservatórios potiguares é o seguinte: nove reservatórios com mais de 80% da capacidade; quatro entre 60% e 80%; oito entre 40% e 60%; 13 entre 20% e 40%; e 34 abaixo de 20%.
O quadro evidencia uma melhora em relação ao início do ano, impulsionada pelo período chuvoso, mas ainda distante de um cenário de segurança hídrica plena. Entre os maiores reservatórios do estado, alguns já registram níveis mais elevados, o que contribui para o aumento do volume total armazenado. A barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, principal reservatório do RN, acumula atualmente 41,69% da capacidade.
Outros mananciais também apresentam recuperação significativa, como Santa Cruz do Apodi, com 53,28%, e Poço Branco, com 60,24%. Lagoa do Bonfim, importante para o abastecimento da Grande Natal, já ultrapassa os 60%. Apesar dos números positivos em parte desses reservatórios, especialistas apontam que a recuperação ainda é localizada e não resolve o problema de forma estrutural.
Na outra ponta, o levantamento do Igarn revela um cenário preocupante em vários açudes do estado. Alguns reservatórios operam praticamente secos, comprometendo o abastecimento e aumentando a vulnerabilidade das regiões mais afetadas. O açude Itans, em Caicó, por exemplo, registra apenas 0,05% da capacidade. Situação semelhante é observada em outros reservatórios do interior, especialmente no Seridó, região que concentra grande parte dos casos mais críticos.
Volume total cresce, mas ainda abaixo do ideal
No acumulado geral, os reservatórios monitorados pelo Igarn somam cerca de 2 bilhões de metros cúbicos de água, dentro de uma capacidade total de aproximadamente 5,29 bilhões de metros cúbicos. O aumento representa uma melhora em relação ao início de 2026, mas ainda está abaixo do nível considerado seguro para enfrentar períodos de estiagem prolongados.
Além disso, a irregularidade das chuvas e a dependência do período chuvoso continuam sendo fatores que influenciam diretamente o cenário hídrico do estado. A situação dos reservatórios tem impacto direto no cotidiano da população, especialmente em municípios do interior. Em áreas onde os níveis seguem críticos, o abastecimento depende de soluções alternativas, como carros-pipa.
A produção agrícola também é afetada, com reflexos na economia local e na geração de renda. Por outro lado, o aumento recente no volume de água traz expectativa de melhora gradual, principalmente se as chuvas continuarem nos próximos meses.
RN mantém padrão de recuperação lenta durante período chuvoso
O comportamento dos reservatórios em 2026 segue um padrão já conhecido no RN. Durante o período de chuvas, há recuperação parcial dos volumes, mas sem garantia de estabilidade ao longo do ano. O cenário reforça a necessidade de planejamento hídrico permanente, com investimentos em infraestrutura, ampliação de sistemas de abastecimento e gestão eficiente dos recursos. Mesmo com avanços recentes, o estado ainda enfrenta desafios para garantir segurança hídrica em todas as regiões.
Seis reservatórios com maior volume armazenado
•Eng. Armando Ribeiro Gonçalves (Açu/Itajá) – 41,69%
•Santa Cruz do Apodi (Apodi) – 53,28%
•Umarí (Upanema) – 48,83%
•Poço Branco (Poço Branco) – 60,24%
•Lagoa do Bonfim (Nísia Floresta) – 60,01%
•Oiticica (Jucurutu) – 32,17%
Panorama atual dos reservatórios no RN (Igarn)
- Capacidade total: 5,29 bilhões de m³
- Volume atual: cerca de 2 bilhões de m³
- Reservatórios acima de 80%: 9
- Entre 60% e 80%: 4
- Entre 40% e 60%: 8
- Entre 20% e 40%: 13
- Abaixo de 20%: 34
- Maior reservatório: Armando Ribeiro Gonçalves
- Região mais crítica: Seridó
Seis reservatórios com menor volume
- Lulu Pinto (Luís Gomes) – 0,01%
- Passagem das Traíras (São José do Seridó) – 0,03%
- Itans (Caicó) – 0,05%
- Brejo (Olho-d’Água do Borges) – 0,27%
- Jesus Maria José (Tenente Ananias) – 0,30%
- Sabugi (São João do Sabugi) – 1,80%