RN RECONHECE QUATRO NOVOS PATRIMÔNIOS CULTURAIS E NATURAIS

O Rio Grande do Norte conta com novos patrimônios naturais, paisagísticos e culturais, conforme publicação no Diário Oficial do Estado (DOE). Ao todo, quatro bens foram reconhecidos: Barra do Cunhaú, em Canguaretama (Patrimônio Natural, Turístico e Cultural); Cânions dos Apertados, em Currais Novos (Patrimônio Natural, Paisagístico, Turístico e Cultural); Rendeiras de Bilros da Vila de Ponta Negra, em Natal; e Carnaval da Cobra, de Parelhas (Patrimônio Cultural e Imaterial). O reconhecimento entrou em vigor na última sexta-feira (16). Jane Edna, vice-presidente da Associação das Rendeiras de Ponta Negra, celebrou a medida.


“A gente recebe esse reconhecimento com muita alegria e satisfação. Cada rendeira tem uma história e ancestralidade próprias, ao mesmo tempo em que carrega a cultura da Vila de Ponta Negra desde a época em que éramos uma vila de pescadores. É uma medida que nos fortalece e ajuda a levar nossa tradição para todo o RN”, afirma. Atualmente, existem 68 rendeiras em atuação na região, das quais sete vêm de outras áreas da capital e até mesmo do interior. As rendeiras se reúnem no Memorial das Rendeiras, localizado na Rua Vereador Manoel Coringa de Lemos, em Ponta Negra.


“Na prática, nós esperamos conseguir, além do reconhecimento, um espaço adequado para nossas rendeiras, com acessibilidade e conforto térmico. Hoje esse espaço funciona na casa da minha avó, mas nós gostaríamos de um local que pertencesse, de fato, à associação. Nosso desejo é fazer do espaço atual um museu, um ponto de memória”, descreve Jane Edna. O secretário de Turismo de Natal, Sanclair Solon, disse que o reconhecimento das Rendeiras de Bilro da Vila de Ponta Negra é uma importante conquista para Natal.


De acordo com ele, a medida valoriza a identidade cultural da cidade, preserva um saber tradicional transmitido entre gerações e fortalece o sentimento de pertencimento da comunidade. “Na Setur Natal, entendemos que essa valorização representa uma oportunidade de desenvolver o turismo de forma sustentável, conectando os visitantes à história, à cultura e às pessoas que fazem parte da identidade do destino”, pontua. Segundo ele, a pasta possui um projeto de Turismo de Base Comunitária em andamento para ampliar a visibilidade das rendeiras nas ações de promoção turística de Natal.


“Nosso objetivo é integrar o artesanato de bilro aos roteiros e às experiências oferecidas aos visitantes. Queremos que o turista conheça a riqueza cultural e humana que torna Natal um destino único”, disse o secretário. Em Currais Novos, de acordo com a Prefeitura do Município, o objetivo é fazer com que o reconhecimento dos Cânions dos Apertados se transforme em oportunidades, com visibilidade, crescimento econômico e fortalecimento do sentimento de pertencimento da população.


“A partir dessa conquista, a Prefeitura pretende fortalecer as ações de divulgação do geossítio, ampliar presença nas estratégias de promoção turística de Currais Novos e incentivar iniciativas que integrem turismo, educação ambiental, preservação e desenvolvimento sustentável. A gestão também considera importante fortalecer parcerias com os governos estadual e federal, instituições e o setor turístico para estimular o fluxo de visitantes”, escreveu a Prefeitura em nota.


Já a Prefeitura de Parelhas afirmou que o reconhecimento ao Carnaval da Cobra “coroa a política pública contínua de valorização implementada ao longo dos últimos seis anos, intensificada expressivamente no período de retomada pós-pandemia, a partir de fevereiro de 2023”, com o compromisso, por parte da gestão, de “garantir aporte financeiro contínuo, suporte logístico, apoio às atrações musicais e fomento às apresentações artísticas e culturais do povoado”.


A Secretaria de Turismo do RN (Setur/RN) divulgou, também por meio de nota, que o reconhecimento dos quatro bens como patrimônios estaduais reforça a riqueza e a diversidade do estado, que reúne atrativos naturais e manifestações culturais que preservam a história, a identidade e as tradições do nosso povo. “Do ponto de vista turístico, esse reconhecimento amplia as possibilidades de diversificação da nossa oferta, fortalecendo segmentos como o turismo de natureza, o turismo cultural e de experiência”, informou a pasta.
Segundo a Secretaria, o desafio agora é transformar o reconhecimento em oportunidades concretas.

“A estratégia passa pela articulação entre o poder público, os municípios, o trade turístico e as comunidades, com foco na estruturação dos atrativos, na qualificação dos serviços e na valorização das pessoas que mantêm vivas essas tradições. Também é fundamental ampliar a divulgação desses patrimônios nos canais de promoção turística do estado, em feiras, campanhas e ações voltadas aos mercados nacional e internacional”, esclareceu.


O diretor-geral da Fundação José Augusto (FJA), Gilson Matias, disse que o reconhecimento representa um avanço para a valorização da memória, da identidade e da diversidade cultural e ambiental do RN. Entretanto, de acordo com ele, a efetiva preservação desses bens exige medidas que vão além da aprovação e da publicação de uma lei. “O reconhecimento precisa representar um valor efetivo para o estado e para suas comunidades. E para tanto, a aprovação de um bem material ou imaterial exige uma pesquisa prévia sobre sua relevância histórica e tradicional”, destacou.


“A condição de patrimônio oficialmente reconhecido pode fortalecer sua apresentação em projetos e propostas submetidos a editais culturais, conforme os critérios de cada seleção, contribuindo para ampliar as possibilidades de acesso a recursos destinados à pesquisa, à documentação, à difusão e à continuidade das práticas culturais. Assim, o desafio é transformar o reconhecimento formal em uma política efetiva de preservação, com responsabilidades institucionais definidas, participação das comunidades envolvidas e condições concretas para que esses patrimônios permaneçam vivos e acessíveis às futuras gerações”, finalizou Gilson Matias.