
O Rio Grande do Norte registra atualmente 3.345 pessoas em situação de rua, segundo levantamento do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Desse total, 62,9% estão em Natal, município que concentra a maior parcela dessa população no Estado. Em seguida aparecem Mossoró, com 10,49% dos registros, e Parnamirim com 8,61%.
Com 3.345 registros, o Rio Grande do Norte ocupa a quinta posição no Nordeste em número de pessoas em situação de rua. O Estado fica atrás da Bahia (16.624), Ceará (14.171), Pernambuco (8.540) e Maranhão (3.700), mas supera Alagoas (2.968), Paraíba (1.963), Piauí (1.767) e Sergipe (1.723).
Além da capital, aparecem no levantamento Ceará-Mirim (0,54%), Arês (0,09%) e Bom Jesus (0,03%), com participações menores no total de pessoas em situação de rua registradas no Estado.
Procurada pelo Agora RN, a Secretaria Municipal do Trabalho e Assistência Social de Natal (Semtas) informou que ainda não teve acesso ao levantamento completo do CNMP e, por isso, não faz uma avaliação técnica dos dados apresentados. “A Secretaria utiliza o Cadastro Único como parâmetro para acompanhar esse público e planejar suas políticas públicas”, informou a pasta.
A secretaria também pondera que parte das pessoas contabilizadas pode possuir residência, ainda que em condições precárias, utilizando os espaços públicos como local de trabalho e sustento.
“Há que se considerar que há também casos de pessoas que possuem moradias, ainda que precárias, mas utilizam as ruas para buscar seu sustento, em atividades completamente informais. E, nessa condição, identificam-se como população de rua, o que não é necessariamente aplicável a essa definição.”
Outro fator apontado pela Semtas é o deslocamento de pessoas de municípios vizinhos para Natal em busca da rede de atendimento existente na capital. “É preciso, ainda, ter em mente que Natal, por sua estrutura e oferta de diversos serviços e ações públicas para pessoas em situação de rua, dentre eles acolhimento no Centro Pop e restaurante popular, acaba por atrair uma parcela desse público oriunda de outros municípios, sobretudo da Região Metropolitana. Uma migração que contribui para amplificar os dados e as demandas da capital.”
Ao comentar os números, em entrevista recente à TV Tropical, a secretária municipal de Assistência Social de Natal, Auricéa Xavier, afirmou que a inexistência de levantamentos contínuos sobre a população em situação de rua impede comparar a evolução desse público ao longo dos anos.
“Como a gente nunca vinha fazendo um censo, não tem como ter a certeza se o dado aumentou ou se, de fato, agora que a gente conseguiu identificar essas pessoas. A gente não tinha nenhum censo, nenhuma pesquisa continuada, que todo ano a gente fizesse um levantamento para comparar um ano com o anterior.”
Para o Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social (CAIS) do Rio Grande do Norte, que admite um aumento da população em situação de rua nos últimos anos, o fenômeno está relacionado a fatores econômicos e sociais intensificados durante a pandemia.
“Nos últimos anos, a partir da pandemia de Covid-19 e do abandono das políticas voltadas à assistência social, habitação e educação, a sociedade assistiu a esse aumento exponencial da população em situação de rua. Isso está diretamente ligado ao agravamento das crises econômicas e ao desmonte do Estado brasileiro que assistimos até 2022.”
Segundo o órgão, a situação de rua é resultado de um conjunto de fatores que vai além da ausência de moradia. “Precisamos compreender as causas que levam alguém a estar em situação de rua. A perda ou o enfraquecimento do vínculo familiar é um dos primeiros motivos que colocam as pessoas nessa situação. A falta de orientação, de oportunidade, de educação de qualidade, uma série de fatores que, em sequência, acabam minando as possibilidades de escolha de um indivíduo. Nesse contexto, a rua fica como última saída possível.”
O CAIS também afirma que o fenômeno deve ser analisado dentro de um contexto internacional. “Não podemos nos enganar pensando que esse é um problema apenas local ou nacional, mas está sim dentro de um contexto de crise global. Nós vimos nos últimos anos aumentar as ondas migratórias para o Brasil, de pessoas que não encontram nos seus países as oportunidades para uma estruturação de vida ou que fogem de cenários de guerra e violência.”
Como resposta, o centro informou que atuará prioritariamente junto à juventude potiguar por meio da Casa da Juventude, equipamento que será implantado pelo Governo do Estado. “O CAIS será voltado ao atendimento prioritário da juventude dentro da Casa da Juventude. Teremos uma equipe multiprofissional com redutores de danos, psicólogos, assistentes sociais, antropólogos e formadores culturais. A missão será facilitar o acesso aos serviços públicos, atuar sobre as causas que levam à situação de rua e atender quem já está nessa condição para que possa reconstruir seus caminhos.”
Ranking do Nordeste (2025)
| Posição | Estado | Número |
|---|---|---|
| 1º | Bahia | 16.624 |
| 2º | Ceará | 14.171 |
| 3º | Pernambuco | 8.540 |
| 4º | Maranhão | 3.700 |
| 5º | Rio Grande do Norte | 3.345 |
| 6º | Alagoas | 2.968 |
| 7º | Paraíba | 1.963 |
| 8º | Piauí | 1.767 |
| 9º | Sergipe | 1.723 |