A “SAVEIRO FANTASMA” E A CONTA QUE SOBROU PARA O POVO

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Um caso curioso — e preocupante — chegou ao Ministério Público da Comarca de Santo Antônio/RN: a chamada “Saveiro Fantasma”.

A Notícia de Fato nº 02.23.2170.0000193/2026-68 aponta indícios de que recursos públicos do Município de Lagoa de Pedras/RN teriam sido usados para custear peças e manutenção de uma VW/Saveiro, placa QGU9673, veículo que, segundo a documentação encaminhada, não integrava a frota oficial da Prefeitura.

O processo administrativo analisado indica uma despesa de R$ 5.551,30, vinculada ao Fundo Municipal de Saúde, para aquisição de peças mecânicas destinadas à manutenção preventiva e corretiva do referido veículo. A justificativa formal tratava a despesa como se fosse voltada à frota da Secretaria Municipal de Saúde.

A situação fica ainda mais estranha quando se observa que a placa indicada teria sido identificada como vinculada ao Município de Mogi das Cruzes/SP, em nome de proprietário pessoa física. Esse dado reforça a necessidade de uma apuração rigorosa: afinal, essa Saveiro realmente circulou em Lagoa de Pedras/RN e prestou algum serviço público à população, ou apareceu apenas no papel para justificar uma despesa paga com dinheiro do contribuinte?

Essa é a pergunta que precisa ser respondida.

Se o veículo não pertencia ao Município, não estava regularmente cedido, locado ou formalmente vinculado ao serviço público, por que a Prefeitura teria arcado com sua manutenção?

A Comissão de Tomada de Contas Especial encaminhou o caso ao Ministério Público e destacou a necessidade de apuração da origem, autorização, finalidade e justificativa da despesa. Também apontou que o ex-prefeito Guilherme Affonso Melo Amâncio da Silva, na condição de principal ordenador de despesas à época, deve prestar esclarecimentos, sem prejuízo da oitiva de outros agentes públicos e particulares envolvidos.

Politicamente, o episódio é grave. Enquanto a população sofria com a falta de medicamentos, exames e serviços básicos, surge uma despesa superior a cinco mil reais com peças para um veículo que, ao menos conforme os indícios apresentados, não tinha vínculo formal comprovado com a Prefeitura.

Fonte: Blog Notícias em Foco