EMPREGO PRIVADO GANHA FORÇA NO RN

O número de pessoas ocupadas no setor público do Rio Grande do Norte diminuiu em 2024, enquanto a iniciativa privada ampliou sua participação no mercado de trabalho formal do Estado. Os dados são do Cadastro Central de Empresas (Cempre), divulgado na última quinta-feira 25 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e indicam uma mudança gradual na composição do emprego potiguar.

De acordo com o economista Arthur Néo, a redução do quadro de trabalhadores na administração pública reflete uma combinação de fatores, entre eles as restrições orçamentárias enfrentadas pelos governos e a expansão do setor privado, impulsionada principalmente pelas micro e pequenas empresas.

“O setor público, historicamente o maior pagador, enfrenta limitações orçamentárias e sem capacidade de expansão, pois já encontra-se no limite da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), que restringem a expansão do quadro de servidores”, afirmou.

Segundo o levantamento do IBGE, a administração pública concentrava, em 2024, 189.017 trabalhadores no Rio Grande do Norte, o equivalente a 28% do total de pessoas ocupadas. O número representa uma redução de 5,4% em relação a 2023.

Em sentido contrário, o setor privado registrou crescimento de 6,2% no número de empregados, alcançando 460.096 trabalhadores. O contingente corresponde a 68,1% do total de empregados assalariados do Estado.

Para Arthur Néo, o movimento representa uma reconfiguração da força de trabalho potiguar, marcada por maior controle dos gastos públicos e pela capacidade de adaptação do setor privado, mesmo diante de um cenário de juros elevados.

“Não se trata necessariamente de uma ‘recuperação’ explosiva, mas de uma economia que aprendeu a se reorganizar após choques anteriores, ancorando-se no setor terciário — serviços e comércio”, explicou.

Apesar do crescimento do emprego privado, o economista ressalta que a expansão ainda não compensa integralmente a perda de vagas no setor público em termos de renda e estabilidade. Segundo ele, a remuneração média dos servidores permanece superior à dos trabalhadores da iniciativa privada.

“A quantidade de postos de trabalho aumentou, mas a qualidade e a remuneração média ainda não atingiram o patamar do setor público”, afirmou.

Arthur Néo avalia que o fato de quase 70% dos trabalhadores formais do Estado estarem vinculados ao setor empresarial demonstra uma mudança estrutural no mercado de trabalho potiguar, com a iniciativa privada assumindo papel predominante na geração de empregos. Ele destaca, contudo, que esse mercado ainda apresenta elevado grau de informalidade e forte dependência de pequenos negócios.

Os dados do IBGE também apontaram crescimento de 20% do setor de serviços no Rio Grande do Norte. Apesar da expansão, o segmento ainda permanece atrás do comércio em número de trabalhadores.

Para o economista, a liderança dessas atividades confirma a predominância do setor terciário na economia estadual.

“Embora o crescimento de serviços, saúde e tecnologia aponte para uma tentativa de diversificação, o RN ainda depende de setores tradicionais, como comércio e turismo, para absorver a massa de trabalhadores. A diversificação é real, mas ainda em ritmo de ‘passos curtos’”, analisou.

Segundo Arthur Néo, a consolidação desse crescimento do setor privado dependerá de investimentos em qualificação profissional, modernização tecnológica e aumento da produtividade, fatores considerados essenciais para elevar os níveis salariais.

Ele também defende a atração de investimentos de maior porte para reduzir a dependência do microempreendedorismo e fortalecer cadeias produtivas de maior valor agregado.

“O Estado precisa atrair investimentos de maior porte que tragam escala, saindo da dependência exclusiva do microempreendedorismo para fomentar cadeias produtivas de maior valor agregado”, concluiu.