
Condutores que usam gás natural veicular (GNV) no Rio Grande do Norte passaram a pagar mais caro pelo combustível a partir de 1º de maio, após reajuste aplicado pela Potigás no preço de venda para postos de combustíveis. Com a mudança, o metro cúbico do GNV passou a ter novas faixas de preço, podendo ultrapassar R$ 4,00, a depender da carga tributária aplicada.
Após o reajuste, os novos valores ficaram com a seguinte configuração: R$ 2,7651/m³ sem impostos; R$ 3,8086/m³ com ICMS, PIS e Cofins; e R$ 4,0549/m³ com a incidência adicional do ICMS Substituto. Nos postos de combustíveis, que operam na faixa de maior carga tributária, o reajuste representa cerca de R$ 0,15 por metro cúbico em relação ao preço anterior, de R$ 3,90, vigente desde fevereiro deste ano.
O recente reajuste ocorre após uma sequência de reduções. Em fevereiro, a Potigás havia reduzido o GNV de R$ 4,00 para R$ 3,90 por metro cúbico — a segunda queda consecutiva desde novembro de 2025, quando o preço era de R$ 4,10. Em todo o país, há um movimento de alta do combustível, uma vez que a Petrobras anunciou reajuste médio de 19,2% no preço do gás natural vendido às distribuidoras.
Segundo a Potigás, o reajuste deve-se principalmente ao “aumento no custo do gás natural adquirido pela distribuidora”. “Esse custo é influenciado por fatores como o cenário internacional, a variação cambial e indicadores de mercado previstos nos contratos de suprimento”, explica a companhia.
A Potigás destaca que as duas últimas reduções tarifárias “não foram integralmente repassadas ao consumidor final pelos postos de combustíveis”. Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) referentes à semana de 26 de abril a 2 de maio apontam o RN como o segundo maior custo do metro cúbico de GNV (R$ 5,10) nos postos, atrás apenas do Ceará (R$ 5,15).
Já um levantamento do Núcleo de Pesquisa do Procon Natal aponta que em abril a zona Norte da capital potiguar registrou o menor preço médio de GNV (R$ 5,06). O mais caro foi encontrado na zona Leste (R$ 5,13). A zona Sul registrou R$ 5,11, e a zona Oeste, R$ 5,09. O preço médio do combustível em Natal foi R$ 5,10 nesse mês.
O economista Helder Cavalcanti explica que o preço do GNV resulta de uma cadeia composta por diferentes fatores, que começa no valor do gás natural vendido pela Petrobras às distribuidoras. “Entram outros componentes, como margem da distribuidora estadual, custos operacionais e logísticos, margem dos postos revendedores e tributos federais e estaduais”, explica.
Nos segmentos industrial, comercial e residencial, os reajustes são repassados diretamente aos consumidores e seguem as estruturas tarifárias específicas de cada segmento.
Alta nacional
Segundo Helder Cavalcanti, a recente alta está ligada ao reajuste promovido pela Petrobras. Esse movimento ocorre especialmente devido à valorização do petróleo no mercado internacional, oscilação do dólar e reequilíbrio de contratos de fornecimento de gás.
Para o economista, o RN ainda tem um GNV mais caro devido a fatores estruturais, como a baixa escala de consumo, custos logísticos e de infraestrutura, carga tributária e modelo de distribuição regional – “estados com maior concorrência ou produção local tendem a ter preços mais competitivos”, afirma.
Impacto no bolso
O servidor público Daniel Henrique, 40, reclamou do valor ao abastecer o carro em um posto em Natal nesta terça-feira (5). “Esse aumento é ruim, porque o GNV tem uma proposta de ser menos poluente. Poderia ter algum tipo de incentivo pra gente usar esse tipo de combustível”, diz Daniel.
Já o servidor Deanderson Alves, 40, que também trabalha como motorista por aplicativo, ainda não percebeu o aumento do preço. “Para mim, que rodo bastante, a economia da gasolina para o GNV já chegou a R$ 2.500 no mês. Com 1 litro de gasolina, rodo 10 quilômetros na cidade. Com 1 metro cúbico de gás, chego a fazer 14 quilômetros”, exemplifica.