ACORDO ENTRE MERCOSUL E UE DEVE AMPLIAR OPORTUNIDADES PARA EXPORTAÇÕES DO RN

O novo acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) deve abrir espaço para a ampliação das exportações potiguares e já mobiliza empresários e representantes do setor produtivo. Nesta quarta-feira (13), especialistas e instituições ligadas ao comércio exterior discutiram as oportunidades do tratado para o RN. De acordo com os especialistas, o segmento de fruticultura deve ser um dos principais beneficiados.


O encontro foi promovido pelo programa RN+ Exportação e realizado na sede do Sebrae-RN. A programação contou com a palestra “Acordo Mercosul, União Europeia e Oportunidades para Empresas do RN”, que abordou os impactos do tratado comercial e as perspectivas de negócios para empresas potiguares.


Na avaliação do palestrante e coordenador de Inteligência Comercial e Defesa de Interesses da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Felipe Spaniol, o RN reúne setores estratégicos. “O Acordo Mercosul e União Europeia pode ser uma oportunidade, porque entre as cadeias que foram negociadas, a gente tem a fruticultura. Também tem o mel, tem produtos de pescado. Todos esses produtos podem ser beneficiados”, afirmou.


Em abril de 2026, o RN registrou superávit comercial de US$ 18,6 milhões e alcançou a terceira posição no Nordeste, com movimentação total de US$ 72,33 milhões. Ouro, melão, mamão, melancia e minério de tungstênio concentraram cerca de 80% das exportações potiguares.


De acordo com o novo acordo entre Mercosul e União Europeia, frutas como melão, melancia e mamão não estarão sujeitas a cotas de exportação e terão as tarifas de importação eliminadas de forma gradual ao longo dos próximos anos. O cronograma de redução tarifária e as alíquotas previstas para cada produto podem ser consultados no painel disponibilizado pela CNA.


Além da palestra, o evento contou com uma mesa-redonda com empresários convidados para compartilhar experiências relacionadas ao comércio exterior.


O superintendente do Sebrae-RN, Zeca Melo, destacou que a instituição vem atuando para preparar empresas potiguares para o mercado internacional por meio do programa.


Atualmente, o RN+ Exportação acompanha 70 empresas de forma ativa. A expectativa do Sebrae é encerrar o primeiro ano da iniciativa com cerca de 100 empresas atendidas, ampliando a participação de pequenos e médios negócios no mercado internacional.


De acordo com o superintendente, um dos principais desafios para ampliar as exportações no estado é recuperar a cultura exportadora entre os pequenos negócios. “O grande desafio é retomar essa cultura exportadora e incluir o pequeno empreendedor na pauta. Existe muito potencial em empresas menores que, às vezes, têm contratos pontuais ou atuam fora dos grandes grupos exportadores”, explicou.


Entre os segmentos com maior potencial de crescimento com o acordo entre Mercosul e UE, o Sebrae aponta o setor de alimentos. “A gente está hoje trazendo especialistas, vendo o que a gente pode fazer objetivamente, porque em alguns setores a gente já foi forte e precisa retomar, que é o de carcinicultura”, defende Zeca Melo.


Júnior Queiroz, empresário da Zetta Molhos, participa do programa RN+ Exportação para entender o funcionamento do mercado internacional e se preparar para futuras negociações. “A gente não consegue vender toda a produção aqui. Exportar hoje é uma expectativa de crescimento e fortalecimento financeiro da empresa”, afirmou.


Para o secretário-adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Hugo Fonseca, o acordo entre Mercosul e União Europeia deve gerar impactos financeiros positivos de forma gradual para o estado, principalmente nos próximos cinco anos.


“O RN já exporta produtos com boa aceitação no mercado europeu. Com a consolidação dessa parceria comercial, a tendência é que esse volume só aumente nos próximos anos”, destacou o secretário.


Ele afirmou ainda que o Governo do Estado vem estruturando ações para ampliar a competitividade do RN no mercado externo. Entre as prioridades estão investimentos em infraestrutura e logística, considerados essenciais para reduzir custos operacionais e facilitar o escoamento da produção.


Segundo o secretário, uma das principais estratégias é fortalecer a estrutura portuária do estado para evitar que produtos fabricados no RN precisem ser enviados a outros portos do Nordeste antes da exportação.

Zona de livre comércio


Considerado o maior tratado comercial já negociado pelo Mercosul, o acordo com a União Europeia prevê a redução gradual de tarifas de importação ao longo de até dez anos, alcançando abertura preferencial para 93% dos produtos negociados entre os blocos. Já no primeiro ano de vigência, cerca de 39% dos produtos exportados pelo Mercosul devem passar a contar com condições tarifárias mais vantajosas para entrada no mercado europeu.


No Rio Grande do Norte, a expectativa é de expansão da participação do estado nas exportações internacionais.


Atualmente classificado como um exportador de porte intermediário, o RN movimentou mais de R$ 1 bilhão em vendas externas no ano passado.